meta name="robots" content="noindex" /> Contraculturalmente: FILME DE CULTO 22: 300



FILME DE CULTO 22: 300

Na categoria cinéfila de adaptações de banda desenhada, dois dos maiores gigantes da 9ª Arte têm tido percursos muito diferentes. Os filmes baseados nas obras de Alan Moore, talvez porque o mesmo sempre se opôs vigorosamente a estas adaptações, situam-se regra geral entre o fracasso de bilheteira (quando adaptados literalmente) e o sucesso relativo (quando alterados de forma tão radical que se torna difícil encontrar paralelos entre a banda desenhada e a sua consequente adaptação). No entanto, Moore é um genial argumentista de banda desenhada, tido como quase cinematográfico na sua escrita.

O percurso de adaptação da obra de Frank Miller ao cinema é bem diferente. Quando os filmes são vagamente baseados na sua obra (relembrando os horríveis flops de Daredevil e Elektra), o resultado final alterna entre o enfadonho e o asqueroso. Porém, as adaptações mais fiéis do seu espólio artístico resultam em grandes filmes. Veja-se o exemplo do mais recente filme de Batman, baseado na sua graphic novel Batman: ano I. Veja-se o aclamadíssimo Sin City. E veja-se agora (no cinema, se possível) o mais recente 300.



300 narra com contornos de lenda fantástica os acontecimentos reais da batalha de Thermopylae, onde Leónidas I, Rei de Esparta, contando apenas com a sua guarda pessoal de 300 soldados e alguns aliados de outras cidades-estado gregas, procura impedir a invasão persa comandada pelo Imperador Xerxes e o seu grandioso exército.

Filmado essencialmente em bluescreen, 300 captura na perfeição os cenários e planos incluídos na obra de Miller. Nota especialmente alta para a caracterização. Gerard Butler e Rodrigo Santoro são perfeitas aparições em carne e osso de Leónidas e Xerxes, respectivamente.



Completando a experiência cinematográfica, esta adaptação conta com novos elementos originalmente ausentes da Graphic Novel original, mas com alguma pertinência histórica, nomeadamente sobre a importância das mulheres na sociedade Espartana. Gorgo, a esposa do rei Leónidas, praticamente ausente na banda desenhada, possui aqui um papel de relevo pelas suas acções diplomáticas junto do senado Espartano, sendo a frase "Apenas as mulheres Espartanas dão à luz homens" atribuída historicamente a esta rainha. Outra citação directa, "Volta com o teu escudo ou em cima dele", é geralmente aceite como despedida das esposas de Esparta aquando da partida dos seus maridos para a guerra.

300, o filme, é um épico à antiga, deixando passar um certo sentimento camp após o seu visionamento. A grandiosidade das batalhas e os relatos de engenho, crueldade e coragem da falange Espartana, à mistura com a relação intensa entre o Rei Herói e o Rei Vilão e os aspectos mitológicos introduzidos levam-nos aos filmes históricos de antigamente. A brilhante realização de Zack Snyder arrasta as nossas mentes directamente para dentro da acção do filme, fazendo-nos por momentos sentir o aroma do sangue e o peso dos escudos. 300 faz-nos sentir Espartanos durante praticamente duas horas. Um mimo para fãs de banda desenhada, um excelente filme para todos os outros.



Trailer:

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abril 17, 2007
Blogger El Gordo relatou...

Sem dúvida, um enorme filme! Mas, na minha opinião, a felina que mais me fez sentir camp(?) foi aquela que dançava no ar... AHHUUURRR!!! Abraço!    



maio 14, 2007
Anonymous Wolmar relatou...

faço coro com o butler e digo q entre 1 adolescente bebeda e minha loiraça(ESPOSA) prefiro esta última, mas o q faltou no seu blog foi comentar o discurso evidentemente americanófilo velado, ou seja: "nós espartanos (ocidentais) lutamos pela liberdade, pelos homens livres, contra escravos sem vontade e blabla". pôrra! parece até o discurso do george bush, ou não é?
ahuahuhahua, me desculpe a ignorância nas girias européias , mas q onda é esta de "camp", algum tipo de "cool"?
vlw brothers ibéricos

Wolmar de Almeida Teixeira Bstos    



junho 05, 2007
Blogger Carca relatou...

Esqueci-me de comentar na altura, comento agora:

Kitsch é algo que ficou ultrapassado no tempo, e por isso cómico.

Camp é algo propositadamente ultrapassado no tempo, e não menos cómico.    



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