meta name="robots" content="noindex" /> Contraculturalmente



FILME DE CULTO 24: NINJA DAS CALDAS

sexta-feira, junho 01, 2007
Isto passou-se há muitos anos, quando entrei para o Ensino Superior pela primeira vez. A entrada para o ensino superior é uma altura muito crítica na vida do jovem adulto, em que tudo é novidade, e há um montão de pessoas diferentes para conhecer, e segredos para partilhar. No meu ano de caloiro foi-me partilhado um segredo muito bem guardado: um apartamento a cair de velho, por cima de um café frequentado por toda a escória de Leiria, onde as cenas de pancadaria se sucediam todos os dias. A renda era extremamente barata e a sala era suficientemente grande para poderem pernoitar simultaneamente 10 pessoas ao mesmo tempo, fora todas as outras espalhadas pelos quartos. Além disso, a casa ficava muito bem localizada, perto da escola e dos bares. Naturalmente, a casa do Colonial, como ficou baptizada, passou a ser o ponto de encontro de todos os meus amigos, conhecidos e mesmo pessoas com quem tivesse trocado um "olá" um dia. Numa altura em que o conceito de privacidade era uma miragem na minha própria casa, não era invulgar chegar à sala e deparar-me com cenas de sexo entre pessoas que desconhecia totalmente, e cheguei ao cúmulo de mandar embora uns 4 ou 5 marmelos que nunca tinha visto na vida, quando os mesmos me tocam à campainha com uma pizza e 3 garrafas de cerveja nas mãos... Bons tempos...

Isto passou-se mais ou menos entre 1999-2000, altura da criação do Ninja das Caldas. Na altura, sentado no chão da sala, um amigo dum amigo dum amigo dum amigo dum amigo que por acaso se encontrava por ali falava com muito entusiasmo sobre um filme que uns tipos da ESTGAD (entretanto a escola passou a chamar-se ESAD) tinham feito. Falava de como o filme era mau, do sangue falso, dos ninjas, das Caldas, da impossibilidade de o encontrar... Chegava ao ponto de declamar diálogos do filme com o mesmo entusiasmo dos personagens. Era bom demais para ser verdade. Não podia existir um filme assim. O Ninja das Caldas? Tinha de o ver!

Por muitos e bons anos o procurei. Mais pessoas me confirmaram a existência do Ninja das Caldas, muitos sabiam de cor as falas, e duas ou três já haviam visto o filme. Mas ninguém tinha a cassete, e a Internet não era o que é hoje em dia. Fui desistindo da ideia de algum dia poder visionar o Ninja das Caldas, até que, alguns anos depois, a Sic Radical o passou na televisão para delírio completo de todos os habitantes da casa do Colonial! E era ainda melhor do que alguma vez havia imaginado!

"Digam-me os vossos nomes que eu mato-vos por ordem alfabética!"

A história começa no lar de uma dona de casa muito prendada, que trauteia uma conhecida modinha de Emmanuel enquanto trata das suas tarefas domésticas e aguarda que o seu amado Tony regresse de um torneio de artes marciais. A sua paz é abalada com a chegada de Evil Dragon, disfarçado de pregador das testemunhas de Jeová.

"Vais sentir a supremacia da dor!"

Evil Dragon, o chefe dos ninjas maus, espanca brutal e desnecessariamente a dona de casa, roubando-lhe o mítico búzio dourado. Entretanto, Tony regressa, e depara-se com um cenário Dantesco: casa destruída, sangue pelos ladrilhos e a sua amada prestes a falecer. Tony jura vingança contra as forças do Dragão, mas é derrotado e morto por Evil Dragon. No entanto, o seu mestre predispõe-se a utilizar os seus poderes para o trazer de volta à terra e treiná-lo com o intuito de eliminar de uma vez por todos os terríveis ninjas assassinos que assolam a região Oeste, e colocar um fim às intenções demoníacas de Evil Dragon.

"Sê uma flecha de sabedoria apontada ao coração dos oprimidos!"

O Ninja das Caldas é um mimo da boa série-B. Os diálogos são patetas, e por isso mesmo, memoráveis, os actores desdobram-se em vários papéis e as falhas na realização sucedem-se a um ritmo ainda mais alucinante que a banda sonora, composta por um Techno Carrinhos-de-Choque. A cena da ressuscitação de Tony é curiosamente feita debaixo de um pinheiro. O mestre ajoelha-se, reza um pouco, um pó branco cai do céu, seguido de Tony, seguido do saco do pó branco que entretanto havia ficado vazio. Antes, numa intensa luta contra Evil Dragon, Tony consegue efectuar uma esparregata e esmurrar o seu inimigo nas partes baixas, enquanto um grupo de militares passa em segundo plano efectuando o seu jogging matinal. Noutra cena, bem mais adiante, Tony lança um feroz ataque final contra o seu inimigo, projectando-se em voo durante vários metros em direcção ao peito de Evil Dragon. Bem visível na cena está a equipa técnica, suspendendo Tony pelo ar para simular o efeito voador.

O tempo nas Caldas é incerto... Tanto chove muito como não chove nada... Ao mesmo tempo!

Filmado com um orçamento de 40 euros (quatro contos de reis na altura), é fácil de ver onde foi gasto o dinheiro desta obra. Litros de Ketchup, um passeio de barco no jardim das Caldas da Rainha, e um ou outro saco de farinha. Todos os restantes adereços devem ter sido trazidos de casa (nota-se que por aqui existem alguns ninjas com técnica em artes marciais, pelo que as matracas e espadas devem ter vindo daí) ou encontrados nos próprios cenários (as caixas de papelão que constituem os "Robótes" de Evil Dragon e os tacos de bilhar e peças de xadrez letais do Ninja-Bar). Desengane-se que este filme tivesse alguma pretensão a obra-prima, pois tudo em o Ninja das Caldas é tão mau que só pode ter sido propositado. A edição em DVD encontra-se com muita dificuldade (mas encontra-se), pelo que podem tentar a vossa sorte nas bem-aventuradas superfícies comerciais de origem Francesa com nome de ar condicionado. No DVD existem uma panóplia de extras, como documentários, making of, entrevistas com as estrelas do Ninja das Caldas e mais uma ou outra coisinha. Se vale a pena comprar o Ninja das Caldas? Claro que sim! O Ninja das Caldas é simultaneamente o primeiro filme Ninja Português, a primeira produção nacional de série-B a receber um considerável tempo de antena e um marco no cinema nacional pelo fenómeno de passa-palavra ao qual foi sujeito. Filme de culto é isto!



Spots promocionais do Ninja das Caldas aqui

MP3 do Hit-Single
Força Tony aqui (botão direito, salvar como)


Trailer:

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FILME DE CULTO 23: MANOS, THE HANDS OF FATE

sexta-feira, maio 04, 2007
Quando um filme realmente muito mau aparece no cinema ou no circuito de DVD, muitos são os que lhe atribuem rapidamente a honra dúbia de pior filme na história da humanidade. Um claro exagero, pois, ignorando toda a subjectividade da questão, um filme nunca consegue ser tão mau que não haja outro pior para comparar. No entanto, esta questão tira-me o sono e arrasta-me numa espiral descendente de mau gosto e sofrimento, sempre tentando visionar aquele que será o pior filme, não de todo o sempre, mas de toda a minha vida. E perco realmente muitas horas a ver lixo, a procurar beleza em toda a série-B propositadamente má e em todo o embuste Hollywoodesco armado em bom. E peno nesta demanda pelo meu santo Graal. Mas sinto que estou prestes a encontrá-lo. Isto porque nunca vi nada tão horrivelmente e insultuosamente mau como Manos, the Hands of Fate, e não sei se depois desta experiência traumatizante, terei coragem para procurar alguma película que ultrapasse esta bosta inglória.



Devo confessar que já sabia naquilo que me estava a meter. Já adivinhava que este seria daqueles filmes que me iriam custar a ver até ao fim. Mas a curiosidade levou a melhor, claro. Caramba, se o próprio Quentin Tarantino possui uma cópia de Manos, the Hands of Fate em celulóide, o filme não pode ser tão mau quanto isso, certo?

Errado. Completamente errado! Este filme tem tantas falhas que nem sei por onde começar. Talvez pela figura de Hal Warren. O Texano Warren foi um vendedor de fertilizantes agrícolas durante toda a sua vida. Porém, Warren sonhava que a sua vida podia ser mais do que estrume e pesticidas. Warren queria ser uma estrela, um herói, alguém que as pessoas não ligadas à agricultura admirassem, desejassem, acarinhassem! Warren queria ser realizador de cinema! E apostou com um amigo que assim aconteceria, girava a terra no ano de 1966.

Prontamente, Warren concebeu o enredo. Uma família, pai, mãe, filha e cão, viajam sem destino pela América profunda (leia-se Texas). Depois de longas horas de viagem, acabam perdidos no deserto, vendo-se obrigados a pernoitar numa estalagem guardada pelo deformado Torgo, que passará a totalidade do filme a tremer, gemer maleficamente e repetir até à exaustão "The master would not aprove".

Torgo = Brad Pitt

O Mestre de Torgo viria a revelar-se ser uma criatura demoníaca, vestida de robe com umas grandes mãos vermelhas pintadas e um malvado bigode à Mariachi. O Mestre dormiria longas sonecas, guardado pelo seu harém de esposas defuntas. Com a chegada da família aos seus domínios as esposas discutem sobre o seu destino. Uma das esposas, supostamente a favorita do Mestre, manifesta-se claramente contra o assassínio da criança mais nova. Entretanto, Torgo tenta seduzir a matriarca da família. O Mestre acorda do seu sono de beleza e encontra o seu séquito envolvido numa terrível luta (na verdade, as esposas limitam-se a rebolar umas por cima das outras), e toma uma decisão: O pai e o cão têm os dias contados, a mãe e a filha serão suas mulheres. Não importa que a filha não tenha mais de 8 anos, o Mestre ama todas as mulheres (é o próprio que assim o afirma). O Mestre encarrega-se também de castigar a sua esposa preferida e o próprio Torgo pela sua desobediência, numa das cenas mais intensas do filme, em que o patrão e o subordinado se enfrentam violentamente (com toda a violência que o acto de fitar intensamente alguém sem piscar os olhos acarreta, claro).


Lairai, lararai lalarairai... Y viva España!


Pelo meio do filme haveriam também vários planos de um casal de adolescentes dentro de um carro na marmelada, sem nada de válido para acrescentar ao enredo. Só porque sim.


Rapaz: Cá estamos...
Rapariga: É a vida...
Rapaz: O que estamos aqui a fazer neste filme?
Rapariga: Ninguém sabe, é um mistério! Agora beija-me e ignora a claquete que ficou esquecida na margem direita deste plano.



Escrito o argumento, faltam os actores. Num golpe de génio, Warren contrata-se a si próprio para o papel de pai de família. Os restantes actores seriam encontrados em companhias de teatro locais e agências de modelos. O seu salário seria pago com as receitas do filme. Warren tornaria milionários todos aqueles jovens actores, tal era a sua confiança em Manos.

O processo de rodagem correria na perfeição. Warren havia adquirido uma câmara de 16mm, sem tripé, e que permitia apenas filmar 30 segundos de cada vez. É impressionante como se conseguem filmar 10 minutos de deserto na cena inicial do filme SEM SE PASSAR RIGOROSAMENTE NADA DE RELEVANTE! Isto porque Warren se esquecera de adicionar aos cactos e areia os créditos iniciais. Apenas um pormenor.

A iluminação de filme seria completamente natural. O que significa alterações de cores de um plano para o outro. E que significa também que as cenas filmadas de noite seriam iluminadas por faróis de automóveis. Faróis esses que atraem traças. Traças essas que passam todas as cenas nocturnas a embater contra os actores e a câmara. Apenas outro pormenor.

Uma câmara de filmar tão espectacular como uma 16mm sem tripé que filme apenas 30 segundos de cada vez teria de vir com um senão: a câmara não captava som. Warren teve de contratar todo um grupo de pessoas (3 ao todo) para dobrar o filme. Em mais um rasgo de genialidade, o próprio realizador resolve dobrar as vozes da maior parte das personagens masculinas do filme, utilizando sempre o mesmo tom de voz monocórdico, o que acabaria por transformar os diálogos em monólogos. Torna-se difícil de perceber quem está a dizer o quê quando estão dois homens em cena. Daí que os diálogos tivessem de ser reduzidos ao mínimo, apostando na repetição de falas para reforçar a ideia. Não resisto a fazer um resumo (alargado) dos diálogos do filme:

Pai: Estamos perdidos no Deserto.

Mãe: Vamos parar ali naquela casa sinistra.

Torgo: Não podem ficar aqui nesta casa sinistra. The Master would not aprove. Bem, afinal podem ficar.

Mãe: Aquele quadro é sinistro.


Van Gogh would not aprove.


Torgo: Não toquem no quadro. The Master would not aprove.

Cão: Béu béu.

Filha: Vou correr atrás do cão e perder-me no deserto a meio da noite.

Torgo: Espera. The Master would not aprove.

Pai: Vou atrás da filha. Olha uma cobra sinistra. Pum pum, pronto, matei a cobra a tiro.

Polícia #1: Vamos investigar a origem daqueles tiros.

Polícia #2: É melhor não nos afastarmos muito do carro. Está escuro como bréu e o carro não tem bateria suficiente para ficar muito tempo com os faróis acesos. Além disso, as traças estão-me a comer a roupa toda.

Torgo: Mulher, eu sei que The Master would not aprove, mas quero que largues o teu marido e fiques comigo para sempre!

Mãe: Larga-me, Torgo. És sinistro!

Esposa Favorita do Mestre: Salvemos a rapariga pequena e matemos os restantes.

Esposa do Mestre #4: Não, matemos toda a família!

Esposa Favorita do Mestre: Não, salvemos a pequena.

Esposa do Mestre #3: Não! Matamos todos e pronto!

Esposa do Mestre #2: Acho que para isto ficar resolvido teremos de rebolar por cima umas das outras.

Mestre: Silêncio, esposas! Eu fico com as duas recém-chegadas. Eu amo todas as mulheres, até as de 8 anos! Tu, esposa favorita, para te castigar pela tua desobediência, irei prender-te a um poste não fazer nada de especial contigo. A ti, Torgo, o teu castigo será ficar a olhar para ti sem pestanejar durante 2 minutos. Para veres como sou mau. Ah, e mais lá para a frente queimo-te uma mão!

Mulher: Ah, sinto-me sinistra!

Marido: Ah, sinto-me sinistro!

Filha: Ah, sinto-me sinistra e também ligeiramente explorada neste filme moralmente ambíguo!

Mestre: LOL (mas um LOL maléfico)!

Pai: Fiquei com o emprego do Torgo, enquanto a minha mulher e filha menor de idade satisfazem os desejos do Mestre. Entrem, forasteiros, mas fiquem sabendo que The Master would not aprove!

FIM


Com o filme concluído e as cenas editadas (vozes dobradas, créditos finais e já está), Manos, the Hands of Fate estreou com pompa e circunstância em El Paso, Texas. O realizador e actores chegaram à estreia de limosine e fato de gala. Com o orçamento cada vez mais apertado, os fatos tiveram de ser alugados e a limosine daria várias voltas ao quarteirão, apanhando o elenco e equipa técnica ao ritmo de 4 pessoas por viagem, para que ninguém envolvido nesta mega-produção chegasse a pé à estreia. O filme começa a rodar, a antecipação cresce. Momentos de silêncio. Seguidos de momentos de indignação. Seguidos por momentos de perplexidade. Seguido por um longo momento de gargalhada geral até ao final da película. A meio da projecção, realizador e actores já haviam saído pela porta dos fundos, cobertos de vergonha e humilhação.

Para aumentar ainda mais o mito em torno de Manos, The Hands of Fate, uma curiosa sucessão de eventos trágicos envolveram grande parte da equipa associada a este épico. O realizador caiu em desgraça e cometeu suicídio (consta que andou permanentemente pedrado durante a rodagem de Manos, o que desculpabiliza em parte a falta de coerência entre cenas, planos e diálogos). Alegadamente, 3 das "actrizes" faleceram também pouco depois da estreia de Mãos, as mãos do destino, prova final e irrefutável de que afinal o arrependimento mata mesmo.

Resumindo: Manos é longo, chato, com diálogos monossilábicos intercalados com grandes planos de caras inexpressivas, mal filmado, mal dobrado, mal editado. Tudo de mau. Inacreditavelmente mau. Não sei se este é o pior filme de todos os tempos, mas nenhum outro alguma vez me conseguiu arrancar tantos "como é possível?" da minha boca e seguramente depois desta experiência prefiro arrancar a planta do pé esquerdo com uma tesoura a ter de voltar a ver isto. Estou satisfeito e finalmente conseguirei dormir descansado! Obrigado, Hal Warren!


Trailer (remake):

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FILME DE CULTO 22: 300

segunda-feira, abril 16, 2007
Na categoria cinéfila de adaptações de banda desenhada, dois dos maiores gigantes da 9ª Arte têm tido percursos muito diferentes. Os filmes baseados nas obras de Alan Moore, talvez porque o mesmo sempre se opôs vigorosamente a estas adaptações, situam-se regra geral entre o fracasso de bilheteira (quando adaptados literalmente) e o sucesso relativo (quando alterados de forma tão radical que se torna difícil encontrar paralelos entre a banda desenhada e a sua consequente adaptação). No entanto, Moore é um genial argumentista de banda desenhada, tido como quase cinematográfico na sua escrita.

O percurso de adaptação da obra de Frank Miller ao cinema é bem diferente. Quando os filmes são vagamente baseados na sua obra (relembrando os horríveis flops de Daredevil e Elektra), o resultado final alterna entre o enfadonho e o asqueroso. Porém, as adaptações mais fiéis do seu espólio artístico resultam em grandes filmes. Veja-se o exemplo do mais recente filme de Batman, baseado na sua graphic novel Batman: ano I. Veja-se o aclamadíssimo Sin City. E veja-se agora (no cinema, se possível) o mais recente 300.



300 narra com contornos de lenda fantástica os acontecimentos reais da batalha de Thermopylae, onde Leónidas I, Rei de Esparta, contando apenas com a sua guarda pessoal de 300 soldados e alguns aliados de outras cidades-estado gregas, procura impedir a invasão persa comandada pelo Imperador Xerxes e o seu grandioso exército.

Filmado essencialmente em bluescreen, 300 captura na perfeição os cenários e planos incluídos na obra de Miller. Nota especialmente alta para a caracterização. Gerard Butler e Rodrigo Santoro são perfeitas aparições em carne e osso de Leónidas e Xerxes, respectivamente.



Completando a experiência cinematográfica, esta adaptação conta com novos elementos originalmente ausentes da Graphic Novel original, mas com alguma pertinência histórica, nomeadamente sobre a importância das mulheres na sociedade Espartana. Gorgo, a esposa do rei Leónidas, praticamente ausente na banda desenhada, possui aqui um papel de relevo pelas suas acções diplomáticas junto do senado Espartano, sendo a frase "Apenas as mulheres Espartanas dão à luz homens" atribuída historicamente a esta rainha. Outra citação directa, "Volta com o teu escudo ou em cima dele", é geralmente aceite como despedida das esposas de Esparta aquando da partida dos seus maridos para a guerra.

300, o filme, é um épico à antiga, deixando passar um certo sentimento camp após o seu visionamento. A grandiosidade das batalhas e os relatos de engenho, crueldade e coragem da falange Espartana, à mistura com a relação intensa entre o Rei Herói e o Rei Vilão e os aspectos mitológicos introduzidos levam-nos aos filmes históricos de antigamente. A brilhante realização de Zack Snyder arrasta as nossas mentes directamente para dentro da acção do filme, fazendo-nos por momentos sentir o aroma do sangue e o peso dos escudos. 300 faz-nos sentir Espartanos durante praticamente duas horas. Um mimo para fãs de banda desenhada, um excelente filme para todos os outros.



Trailer:

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FILME DE CULTO 21: KIDS

segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Quando somos adolescentes nada nos pode parar. Não há doença que nos deite abaixo e as guerras só acontecem na televisão. Não temos preocupações nem contas para pagar, e no entanto somos ingratos para quem nos proporciona essa vida longe de angústias e encargos. Temos direito a tudo e queremos tudo a que temos direito. Afinal, somos invencíveis, certo?


Kids, de 1995, é um pseudo-documentário sobre a juventude urbana dos anos 90 (não me parece que os adolescentes de hoje sejam muito diferentes). Filmado com handycams nervosas, acompanhamos um dia de um grupo de miúdos entre os 10 (!) e os 17 anos. As suas experiências relacionadas com sexo e drogas, violência gratuita (com uma das cenas de pancadaria mais brutais da história do cinema), engates, festas e mais sexo e drogas, num niilismo desprovido de valores que poderá parecer chocante de tão verdadeiro. O primeiro filme de Larry Clark é um trabalho realista e duríssimo, não aconselhado a todas as mentes, sendo esta uma constante nas demais criações deste fotógrafo/realizador.

O enredo de Kids é simples e eficaz. Telly, um skater adolescente, tem apenas uma objectivo no mundo. Desvirginar o maior número de raparigas que conseguir, tendo como desculpa que com virgens não se apanha SIDA. O que Telly não sabe é que ele próprio é portador de HIV, contribuindo grandemente para espalhar a doença. Jennie, uma das suas "conquistas", atravessa a cidade numa tentativa desesperada para o avisar desse facto.

Kids, que chegou a ser descrito como "um pesadelo de depravação" pelo antigo senador Norte-Americano Bob Dole, encontra-se com relativa facilidade em clubes de video. Há não muito tempo, saiu em DVD inserido na Série Y do Público, série essa que entretanto já se vende um pouco por todo o lado, desde tabacarias até mesmo à Fnac. Fácil de encontrar, portanto.



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FILME DE CULTO 20: FRANKENHOOKER

terça-feira, fevereiro 20, 2007
Jeffrey, Um electricista com apetência para a ciência participa num barbecue na casa de sua sogra, resolvendo nesse evento testar a sua mais recente invenção, o corta-relvas comandado à distância. Subitamente, como se ganhasse vida própria, o corta-relvas ataca a namorada de Jeff, deixando apenas um braço e a cabeça por retalhar. Jeffrey passa a ter como missão trazer de volta ao mundo dos vivos a vida ceifada por aquele corta-relvas do inferno. É este o início de Frankenhooker, de 1990.



Frankenhooker é o filme que junta pela primeira vez o fascinante universo de Frankenstein com o não-menos fascinante mundo da prostituição de rua. Jeff, consumido pela culpa, utiliza todos os seus conhecimentos para reanimar a sua namorada retalhada. Para tal, resolve utilizar pedaços de prostitutas para completar o corpo da sua amada. O problema é que Jeff é um homem de princípios, e como tal, assassinar está fora de questão. Solução: Um espectacular novo invento, uma droga que, a ser fumada, causa a explosão do corpo da vítima. Jeffrey reúne assim um assinalável grupo de senhoras da vida para uma orgia de sexo e drogas, completa com luz, cor, nudez explícita, nádegas e seios voando pela sala fora. Reunidas as partes corporais necessárias, subitamente a falecida amada regressa à vida. Porém, com um corpo refeito à base de várias prostitutas, a reacção natural da Frankenhooker é voltar a atacar na rua...


Frankenhooker não é, obviamente, um filme de terror, mas sim uma comédia negra das mais imbecis. Como se tudo o que foi escrito até aqui não chegasse para convencer o leitor desse facto, acrescente-se que o cientista necessita de efectuar esporadicamente escavações na sua própria cabeça recorrendo ao auxílio de um berbequim para o ajudar a pensar com mais clareza, e qualquer acto de cariz sexual com Frankenhooker implica reacções eléctricas e mais membros explosivos, desta feita órgãos reprodutores dos infelizes clientes desta amálgama de prostitutas. Divertimento sem malícia para toda a família!

Frankenhooker dificilmente se encontra à venda, pelo que a solução para encontrar esta maravilha da 7ª arte terá de passar pelo download ilegal (coff*torrents*coff). Um fantástico filme mau. Um terrível filme bom. Uma bosta com pinta!

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FILME DE CULTO 19: COFFEE AND CIGARETTES

domingo, janeiro 14, 2007
Roberto Benigni e Steven Wright encontram-se para tomar café e conversar um pouco, mas não se conseguem entender. Às tantas, Steven despede-se, dizendo que tem de ir ao dentista. Roberto, num acto de boa-fé, oferece-se para ir por ele, já que tem algum tempo livre.

Joie Lee e Cinqué Lee encontram-se para tomar café e discutir sobre o quão diferentes são um do outro, apesar de serem gémeos. O empregado, Steve Buscemi, ao reparar no grau de parentesco dos seus clientes, não consegue conter-se e desata a disparatar sobre a teoria de que o irmão gémeo de Elvis não morrera à nascença como se pensa, mas terá substituído o Rei quando este decide acabar a sua carreira. Só assim se justificam as roupas horríveis, a obesidade e o período Las Vegas de Elvis Presley.

Iggy Pop encontra-se com Tom Waits para tomar café, e decidem fumar uns cigarros para celebrarem as suas respectivas longas abstinências de nicotina. Iggy Pop é um fã deslumbrado de Tom Waits, Tom Waits é arrogante e agressivo para com Iggy Pop.

GZA e RZA dos Wu Tang-Clan encontram-se para tomar chá e conversar sobre os malefícios do café e os benefícios das medicinas alternativas. O empregado do bar é Bill Murray, que resolve trabalhar no local para satisfazer os seus vícios de café e cigarros. Como solução para acabar com o seu catarro, os rappers incitam Murray a beber uma solução de água da torneira com água destilada.



Estes são apenas alguns dos momentos mais bem conseguidos de Coffe and Cigarettes, uma colecção de 11 curtas-metragens em torno do acto social de beber café e fumar cigarros. Este projecto que Jim Jarmush desenvolveu entre 1989 e 2003 está cheio de excelentes momentos de humor, estranheza, melancolia e conversa despretensiosa, num misto de diálogos ensaiados e improvisados, e de silêncios desconfortantes. Alguns segmentos são bem melhores que outros, mas com toda a certeza este filme representa um retrato coeso de um acto que para nós é considerado banal e corriqueiro. Os vícios do ser humano acompanhados pela necessidade de socializar e trocar experiências. Se estão a tentar deixar a nicotina e/ou a cafeína, afastem-se de Coffee and Cigarettes. Caso contrário, abracem-no.




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FILME DE CULTO 18: BIKINI BANDITS EXPERIENCE

quinta-feira, novembro 23, 2006
Assumo-me como fã das Bikini Bandits. Porquê? Não sei bem. Gosto do conceito. Míudas giras envergando diminutos bikinis e armas potentes é uma combinação ganhadora. O tal Girl Power que as Spice Girls tanto apregoaram para venderem mais uns disquitos. Só que esse Girl Power aplicado às Bikini Bandits transforma-se em machismo disfarçado de feminismo. Ou será que é ao contrário? Não me consigo decidir. As Bikini Bandits confundem-me.




As Bikini Bandits são na sua essência uma homenagem aos filmes de exploitation dos anos 70 e aos grupos de heroínas do estilo Anjos de Charlie. Consistem num bando de mulheres de pouca roupa e boas curvas (strippers de profissão, na vida real) que praticam o bem e a justiça de forma distorcida, lutando contra a G-Mart Corporation. As suas curtas-metragens obtiveram um culto considerável na internet, ganhando ainda mais notoriedade depois de serem as estrelas no videoclip de A Perfect Circle, The Outsider.

O relativo sucesso deste videoclip despertou a curiosidade (chamemos-lhe assim) de muitos, e as Bikini Bandits começaram a aventurar-se nas longas-metragens. A primeira foi baptizada de Bikini Bandits Experience.



O que dizer de Bikini Bandits Experience? A capa categoriza-o de "Pointlessly Depraved" e "A B-Movie Epic". É tudo verdade.

Não tem sentido. Tentar encontrar um sentido em tudo o que nos é mostrado à velocidade de uma rajada de metralhadora neste filme é um exercício herculeano. Imagens das Bandits a lavar carros com o seu próprio corpo são substituídas por excertos animados, que por sua vez são substituídas por conversas entre os produtores do filme, que por sua vez são substituídas por anúncios de produtos da G-Mart, que por sua vez são substituídos por imagens das Bandits a disparar contra a polícia. No meio disto tudo, temos uma espécie de enredo. Mas já lá chegaremos.

É depravado. Tudo neste filme transpira depravação. Anjos excitados, amor lesbiano, vilões que disparam raios laser do pénis, sexo com débeis mentais, um herói chamado Dirty Sanchez. E no entanto, de erotismo este filme tem muito pouco.

É um épico. Um épico amoral, mas ainda assim, um épico. O filme começa com um acidente de automóvel. As Bikini Bandits são enviadas para o inferno, onde o próprio diabo (Maynard James Keenan!), lhes faz uma proposta: Desvirginar a Virgem Maria (e assim prevenir o nascimento de Jesus), ou enfrentar uma eternidade de frigidez. As Bandits aceitam a missão, mas no momento em que estão prestes a desencaminhar Maria, são abordadas pelo Papa Ramone (Dee Dee Ramone!!), e decidem enfrentar o Diabo e todo o seu séquito. Salvando-se do seu destino, as Bikini Bandits estão livres para seguirem o seu estilo de vida, ajudando um grupo de ninjas (liderado por Corey Feldman!!!) a desmantelar uma rede de tráfico de débeis mentais que eram utilizados em filmes pornográficos (presidida por Jello Biafra!!!!)


É um filme de Série-B. Violência, depravação, bikinis, estrelas Rock, mau gosto, actores que não o são nem o sabem ser. Não sendo um bom filme, tem os seus momentos de magia. Se vale a pena ver ou não, isso depende do gosto (ou da falta de gosto) de cada um.


Trailer:

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FILME DE CULTO 17: ATAQUE DOS TOMATES ASSASSINOS

sexta-feira, outubro 27, 2006
Attaaaaaaaack of the killer tomatoes!
Attaaaaaaaack of the killer tomatoes!
They'll beat you, bash you,
Squish you, mash you,
Chew you up for brunch,
And finish you off, for dinner and lunch!

O Ataque dos Tomates Assassinos (Attack of The Killer Tomatoes, no original) é um clássico de série-B de 1978. Quando se fala de filmes terrivelmente maus, muitos são os que o usam como referência. Porém, quantos de vós viram realmente este filme? Eu próprio, que me assumo como tarado por filmes de baixa qualidade e orçamento nulo só mesmo muito recentemente tive a oportunidade de analisar as complexidades filosóficas desta obra. Segue-se resumo breve e sucinto da minha experiência com os Tomates Assassinos:



Objecto de estudo: Attack of the Killer Tomatoes (2 Disc Special Collectors Edition)

Tentativa #1

Dia: Quarta-Feira à tarde

Estado: Ressacado

Análise: Muito barulho, muito tomate, muita histeria, muita música de fundo, muita cantoria, muito sono, pouca paciência para tomates.

Veredicto: Sofá 1 Tomates Assassinos 0




Tentativa #2

Dia: Terça-Feira à noite

Estado: Cansado, mas desperto

Análise: O mundo vê-se a braços com um ataque planeado por tomates, que atacam indiscriminadamente toda a raça humana. Um grupo de cientistas altamente qualificados é designado para estudar a melhor maneira para erradicar o problema, e concluem que a solução passa por destruir os tomates a tiros de caçadeira. Mas como evitar uma hecatombe quando até o próprio sumo de tomate se revela letal? Nada melhor do que juntar uma task force de profissionais! Incluídos nesta equipa temos um mergulhador, um paraquedista, uma atleta que come cereais chamados "Steroids" ao pequeno almoço, e um mestre do disfarce com a missão de se vestir de tomate e infiltrar-se no acampamento inimigo. Tudo se revela infrutífero, até se descobrir que a única forma de dominar os tomates é através de uma canção ("Puberty Love" é o seu nome) verdadeiramente insuportável, tanto para fruta com pretensões a vegetal como para seres humanos (e espectadores).




O Ataque dos Tomates Assassinos está carregado de um amadorismo enternecedor. Os actores não têm noção de timing, alguns diálogos são (mal) dobrados, e os ataques que dão nome ao filme são inacreditáveis. No início da película, os tomates são vulgares, iguais aos que comemos na salada. Simplesmente rebolam para perto das vítimas, resmungando. A vítima grita, o tomate resmunga, a vítima cai para o chão, o tomate sobe para cima da vítima. Ataque consumado! Mais tarde, os seres maléficos evoluem, e tornam-se bolas vermelhas de papel celofane, resmungando ainda mais alto e rebolando mais rapidamente (graças a um complicado sistema de rodinhas e fios de nylon)! Em alguns dos ataques, é perfeitamente visível que os tomates estão a ser atirados para cima dos actores. Metade do orçamento deste filme foi gasto na mercearia. O restante foi utilizado para pagar o helicóptero emprestado que se despenha logo no início do filme, quase matando o actor principal e a equipa técnica.

A edição especial vem carregada de extras bem interessantes. Encontra-se nesta secção uma curta metragem de 8 milímetros que deu origem ao filme, uma visão sobre o que aconteceu aos actores passados quase 30 anos da sua estreia (o chefe da task force é agora dono de uma suinicultura, e Matt Cameron, que canta a inacreditavelmente irritante "Puberty Love", tornou-se no baterista dos Pearl Jam) e um peculiar documentário baseado na tentativa de impedir a criação deste filme por parte do governo dos Estados Unidos, bem antes de se começarem a produzir alimentos alterados geneticamente, entre muitas outras guloseimas.

Veredicto: Ataque dos Tomates Assassinos não se limita a ser estúpido. Ataque dos Tomates Assassinos eleva a estupidez a um patamar nunca antes alcançado! A estupidez de Ataque dos Tomates Assassinos chega a ser insultuosa! O Ataque dos Tomates Assassinos é o teste cooper da estupidez! Assistir aos 83 minutos de Ataque dos Tomates Assassinos pode tornar-se numa experiência transcendente, onde os limites da estupidez lutam constantemente com os da paciência. Ladrões de mercearias tornam-se budistas após o visionamento do Ataque aos Tomates Assassinos. O Ataque dos Tomates Assassinos deveria ser mostrado nos ciclos preparatórios em campanhas de prevenção contra a violência escolar.

É mau, e no entanto, hipnotizante e magnético. Filme obrigatório!

Excerto:

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FILME DE CULTO EXTRA: SNAKES ON A PLANE

sexta-feira, setembro 29, 2006
Acabado de chegar do cinema, e ainda mal refeito do choque, não poderia deixar passar a oportunidade de voltar a recomendar vivamente o Snakes On A Plane, que chegou há poucas horas ao nosso país.



Primeiro, o culto antes do filme. Reza a lenda que o actor principal Samuel L. Jackson nem sequer leu o argumento, bastando-lhe passar os olhos pelo título para aceitar participar nesta película. Consta também que os produtores, temendo tornarem-se alvo da chacota da indústria cinematográfica, tentaram mudar o título para Pacific Air Fligh 121. Sam Jackson ameaçou desistir do filme se o mesmo não se chamasse Snakes On A Plane. A comunidade de cinéfilos pela internet fora começou a desenvolver um culto que se tornou numa bola de neve. Sites, T-Shirts, músicas, animações, montagens, tudo foi feito para homenagear um blockbuster antes mesmo de estrear. A expressão Snakes On A Plane passou a ser sinónimo de Shit Happens no léxico urbano Norte-Americano. Novas cenas foram incluídas após a finalização do filme, para não desiludir os internautas. Snakes On A Plane simplesmente não seria o mesmo se não incluísse as frases "Enough is Enough! I have had it with these motherfucking snakes on this motherfucking plane!", criada e fomentada pelo público cibernético!



Segundo, o argumento. Alguém testemunha um homicídio, e esse alguém vê-se obrigado a fugir do assassino. Cabe ao agente do FBI Samuel L. Jackson o dever de acompanhar a testemunha desde o Hawai até Los Angeles, de modo a que o jovem possa testemunhar o crime e colocar o vilão atrás das grades. Para impedir que tal aconteça, o mau da fita resolve encher o avião onde Sam e a testemunha viajam com cerca de 500 cobras e serpentes das mais variadas formas, cores e feitios. 500, para se ser mais preciso. É isto. É idiota. É série-B. É lindo!



Terceiro, o filme. Snakes On A Plane, não é apenas um filme mau, é um filme inacreditavelmente mau! Terrível, mesmo. Os diálogos são insípidos, as cenas estão coladas com cuspo e só o Samuel consegue aguentar a pouca coerência desta película. As cobras foram criadas por computador e estão mesmo muito mal feitas, sem qualquer realismo. As pessoas que se encontram no avião são mordidas e atacadas de todas as formas imaginárias e nos locais do corpo mais improváveis (vejam e comprovem vocês mesmos). As soluções para o combate às serpentes são hilariantes de tão ridículas e descabidas. Nada neste filme escapa! Nada!



Quarto, apreciação global. Snakes On A Plane começa como um filme de Domingo à tarde, ou seja, "simplesmente mau". Gradualmente, evolui para o desejado estatuto de filme "tão mau, tão mau, que se torna bom", especialmente quando as cobras lançam o primeiro ataque. Juro, chorei de tanto rir com a violência disparatada e desnecessária dos ataques, a tal ponto de ter chocado algumas pessoas no cinema com o meu comportamento ("não sei qual é a piada, estão pessoas a morrer no avião, não tem sentimentos?", indagou-me um senhor ao intervalo, alheio ao facto de que serpentes pixelizadas dificilmente fariam maldades a alguém). Queria ver um filme mau e Snakes On A Plane correspondeu e superou plenamente as minhas expectativas. Vejam-no por vossa própria conta e risco. Acompanhados, de preferência.


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FILME DE CULTO 16: DELICATESSEN

segunda-feira, setembro 25, 2006
E porque nem só de escolhas duvidosas vive o espaço dedicado ao cinema deste blog, hoje trago-vos um dos meus filmes preferidos, Delicatessen, de 1991.



O cenário é uma qualquer França pós-apocalíptica. O dinheiro deixara de ter valor num mundo sem comida, e a troca directa ganha uma importância medieval. Um senhorio vive à sombra desta desgraça, fornecendo aos seus inquilinos carne humana da melhor qualidade trocando-a no seu talho por produtos hortícolas e favores sexuais. Através de um anúncio num jornal, este talhante obtém as suas vítimas aliciando-as com trabalhos leves de manutenção. Maravilhados com a hipótese de uma vida melhor, as pobres almas que respondem ao anúncio acabarão invariavelmente no prato. A sua mais recente aquisição é um artista circense vegetariano chamado Louison, interpretado por Dominique Pinon, um dos melhores actores cómicos franceses da actualidade.



O grande valor de Delicatessen passa pela riqueza e detalhe nos pormenores e personagens. Desde o senhor que vive numa cave alagada alimentando-se de caracóis e sapos, à eterna suicida falhada que procura a morte através de complicados esquemas que fazem lembrar os desenhos animados do antigamente, à filha do talhante extremamente míope apaixonada pelo palhaço que lhe servirá de sustento, ao próprio palhaço, tudo está extremamente detalhado e pensado ao ínfimo pormenor. A trama muitas vezes prescinde de diálogo para manter o seu ritmo, e as sequências coreografadas tornam-se nos momentos mais memoráveis de Delicatessen. Destaque para a cena de sexo entre o talhante e uma inquilina que acaba por envolver involuntariamente todo o prédio e para o dueto entre um violoncelo e um serrote.



Delicatessen é a primeira longa-metragem de Jean-Pierre Jeunet, o homem responsável pelos aclamados A Cidade das Crianças Perdidas e O Fabuloso Destino de Amelie. Razão mais que suficiente para ver/rever (riscar o que não interessa) esta pequena pérola de genialidade que transforma um acto tão repudiante como o canibalismo num momento de humor roçando a perfeição.

E com isto tudo acabei por não ter espaço para falar da fotografia deste filme. É boa. Muito boa. É linda! Pronto, já falei.

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FILME DE CULTO 15: HATED - GG ALLIN AND THE MURDERJUNKIES

terça-feira, agosto 29, 2006
Merle Allin Senior teve uma visão. Um anjo havia descido à terra para lhe contar que a criança que a sua mulher carregava no ventre seria um grande homem, o novo Messias. Merle Allin Senior era um homem religioso, acreditando piamente naquilo que o anjo lhe contara. O seu filho, o novo Messias, o prometido salvador, seria baptizado como Jesus Christ Allin.

GG Allin cresceu e surpreendentemente, não se tornou no prometido profeta, mas sim num ícone da contracultura Punk, no ser mais vil, nojento, violento e odiável de sempre!



Viciado em heroína, naturalmente louco, fascinado pela figura do serial killer John Wayne Gayce, desprovido de qualquer talento, GG Allin sempre foi um ser envolto em controvérsia, metendo os Green Day, o Marilyn Manson e os meninos do Jackass no bolso, se ao menos usasse roupa. Enquanto não estava na prisão por atentado ao pudor e à integridade física, Allin passava o seu tempo entre sessões de spoken-word e concertos com a sua banda, os Murderjunkies. O exemplo da encarnação do espírito Punk perigosamente levado ao extremo, os concertos dos Murderjunkies eram uma autêntica feira de horrores. Em palco, GG Allin mutilava-se (chegando a partir todos os seus dentes frontais com o microfone), rebolava nas suas próprias fezes, inseria todo o tipo de objectos no ânus, lançava cadeiras e objectos cortantes para a plateia e arrastava fãs para o palco, o que poderia resultar em cenas de espancamento ou em sessões de sexo oral. Tudo isto e muito mais pode ser encontrado no documentário de Todd Phillips Hated - GG Allin And The Murderjunkies.



Filmado entre 1988 e 1993, Hated captura os últimos anos da vida de GG Allin, incluindo excertos de concertos e sessões de spoken word (onde se vê que Allin não descriminava sexos, agredindo violentamente uma mulher que o provocara), uma festa de aniversário (que nem me atrevo a descrever), aparições televisivas e entrevistas aos seus fãs, inimigos, família, banda (Dee Dee Ramone chegou a considerar a hipótese de integrar os Murderjunkies, mas nem aguentou duas semanas) e ao próprio GG Allin.

Hated encontra-se disponível nas habituais plataformas de downloads ilegais. Porém, para os interessados, recomendo a compra do DVD, onde temos como bónus o último concerto de GG Allin (uma música e meia), seguido da sua demanda pelas ruas, nú, coberto no seu próprio sangue e excrementos, abraçado aos seus fãs, enquanto procura a dose de heroína que acabaria por ceifar-lhe a vida. Um momento ternurento.

GG Allin não é ficção. GG Allin existiu mesmo. Este documentário não se destina a mentes sensíveis e facilmente impressionáveis. Vejam-no e tirem as vossas próprias conclusões.

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FILME DE CULTO 14: TROMEO AND JULIET

quinta-feira, julho 27, 2006
O ódio entre as famílias Que e Capulet já subsiste há incontáveis gerações. Tromeo Que é um pobre punk, cheio de tatuagens e piercings. Juliet Capulet é uma menina rica vegetariana que é forçada pelo seu pai a casar com um talhante, ao mesmo tempo em que desenvolve uma relação lésbica com a cozinheira da família. Quando os Capulet organizam um baile de máscaras, Tromeo consegue infiltrar-se na casa da família rival mascarado de vaca, e conhece Juliet. O amor nasce no meio do ódio. Shakespeare deve estar a dar voltas no seu túmulo. Eis Tromeo and Juliet.




A adaptação do clássico inglês, pelo presidente da Troma, Lloyd Kaufman, é um atentado ao bom gosto e à intocabilidade do dramaturgo William Shakespeare. Um filme de baixíssimo orçamento, Tromeo and Juliet é grosseiro e violento, mas também é provavelmente um dos melhores filmes de série-B de sempre. Temos aqui exploitation, humor, escatologia, soft-core, gore e, supreendemente, uma belíssima história de amor. Destaque também para a realização de nível superior (para filme da Troma) e para a utilização do texto de Shakespeare quando os actores principais contracenam (nota-se perfeitamente que estão a ler o teleponto, mas isso é um pormenor irrelevante).





Não sendo uma adaptação fiel ao original, Lloyd Kaufman consegue conferir ao seu filme todo o espírito e energia de Romeo e Julieta. Isto é, se ignorar-mos as cenas onde se vêm mamilos a serem furados, ou pénis gigantes, ou mulheres a dar à luz pipocas, ou decapitações e desmembramentos, ou roedores enforcados, ou o facto do pai da Juliet ser um pedófilo incestuoso que gosta de trancar a filha numa jaula... Tirando isso, quem gostar de violência e sexo e não se enojar com cenas de bestialidade e projecção de vómito, tem aqui um agradável filme para a família! Procurai-o pois, petizada!




Uma curiosidade, a narração está a cargo de Lemmy, vocalista da banda Motörhead.

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FILME DE CULTO 13: A MALDIÇÃO DE KOMODO

sexta-feira, junho 23, 2006
A Maldição de Komodo é um Jurassic Park podre, onde dragões de Komodo geneticamente alterados tornam-se bestas gigantes com um apetite especial por seres humanos.



Um filme de 2004 que poderia muito bem ser de 1944, A Maldição de Komodo é uma película de terror má em tudo. Maus actores, maus efeitos especiais, mau enredo. Temos um grupo de cientistas numa ilha preocupados com a fome no mundo. A solução para estas mentes iluminadas passa por criar dragões de Komodo gigantescos capazes de saciar as barrigas da Somália inteira. O problema é que o dragão de Komodo é um dos principais predadores do mundo, e o seu tamanho leva-os a incluir humanos na sua dieta. Os cientistas tentam a todo o custo parar os monstros, mas eis que chega à ilha um gang de assaltantes de casinos (!) vindos não se sabe muito bem de onde. O grupo tem então de escapar da ilha sem ser comido nem infectado pela baba radioactiva dos dragões de Komodo. Pelo meio há também uma manobra militar qualquer relacionada com os monstros, mas essa parte não entendi bem.




O filme é extremamente mal-realizado. A vedação eléctrica que mantém os humanos em segurança no início da trama não passa de um conjunto de paus com uma lâmpada, e a filha-que-entretanto-já-não-é-filha-mas-sim-sobrinha (grandes argumentistas, sim senhor) do cientista principal existe somente para gritar o tempo todo e para mostrar os seios de uma forma tão gratuita que até envergonha. Os homens da ciência defendem-se através de armas de fogo com munição ilimitada perante um monstro que fica imóvel a receber os tiros até se decidir qual dos humanos quer mastigar. E a baba dos dragões de Komodo transforma os afectados em zombies. Este filme tem tudo para fazer feliz qualquer apreciador de série B!




A minha pergunta é a seguinte: Se queriam experimentar em animais para curar a fome mundial, porque não um animal vegetariano, como a vaca ou a ovelha? Mas assim não tínhamos filme, pois não? A Maldição de Komodo é tão mau, mas tão mau, que se torna hilariante! Vejam-no, acompanhados de preferência, e não se esqueçam da pipoca! Disponível na secção de terror da maior parte dos videoclubes.

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FILME DE CULTO 12: E TUDO O FUMO LEVOU

sábado, maio 20, 2006
E Tudo o Fumo Levou (Up In Smoke no original) é o primeiro, o original, o melhor, o stoner movie por excelência.

Este clássico da dupla humorística Cheech & Chong pode ser considerado o primeiro filme a atingir sucesso com a glorificação de estupefacientes. Cheech Marin e Tommy Chong iniciaram-se na comédia nos inícios dos anos 70, lançando albuns e posteriormente filmes sempre relacionados com o consumo de drogas leves. Cheech interpretava um Mexicano com ambições musicais, enquanto que Chong era sempre sem excepção o típico Hippie permanentemente mocado. O sucesso da dupla elevou-os ao estatuto de ícones da contracultura bem depois de se terem separado, a meio dos anos 80. Desde a sua separação, Cheech participou em vários filmes de sucesso, como O Rei Leão e Aberto Até de Madrugada. Chong saiu recentemente da prisão por posse e distribuição de estupefacientes.




Up In Smoke, o primeiro de uma longa série de stoner movies protagonizado pela dupla, foi lançado nos idos de 1978 e é ainda um grande filme underground com imensa procura, quer por drogaditos leves quer por amantes do kitsch e do piroso. O enredo gira em torno de dois Hippies ganzados que são presos e eventualmente deportados para o México. Para conseguirem regressar aos Estados Unidos, a dupla recebe inadvertidamente uma carrinha inteiramente construída de marijuana. Depois disso, passam a viagem toda de regresso à procura de ganza sem saberem que o seu próprio veículo de transporte lhes poderia garantir doses vitalícias da sua droga de eleição. Basicamente, este é o enredo do filme. Mas há mais.

Há um Tommy Chong a meter uma quantidade industrial de ácidos para não ser apanhado pela polícia, vomitando-os seguidamente aos pés do agente da autoridade, há um juiz do supremo tribunal que bebe vodka em vez de água, há agentes do FBI continuamente ganzados por perseguirem uma carrinha emitindo fumos de cannabis sativa ao invés de gasóleo, há um festival de bandas realmente doloroso de assistir.

E Tudo o Fumo Levou pode ser encarado como um filme de época, datado e inocente, mas não deixa de ser uma belíssima comédia. Encontra-se na internet ou em sessões de cinema Underground (sim, existem sessões de cinema clandestinas que passam este filme em Portugal). Nunca foi lançado no nosso país, portanto se o desejam adquirir em DVD, visitem a Amazon.




Excerto:

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FILME DE CULTO 11: O ÚLTIMO FILME DE TERROR

quinta-feira, abril 27, 2006
Há pouco aconteceu-me uma coisa estranhíssima. Estava eu a ver um filme-pipoca de terror para adolescentes chamado O Último Filme de Terror, quando de repente a imagem ficou desfocada e o filme terminou abruptamente. Subitamente apareceu-me no ecrã da minha televisão um tipo inglês chamado Max Parry, que resolveu gravar um documentário sobre a sua vida por cima da porcaria de filme que eu estava a ver.



Fiquei a saber que o Max é um tipo porreiro e inteligente, que filma casamentos mais como hobby do que como fonte de subsistência. Tive a oportunidade de o ver em almoços e jantares com a família e a socializar com os amigos. Também aprendi a matar, enforcar, mutilar e incendiar seres humanos em grande estilo eliminando qualquer hipótese de ser apanhado, porque este documentário poderia muito bem intitular-se "Como Assassinar Pessoas Aleatoriamente e Continuar a Viver uma Vida Normal".

Max é um Serial Killer frio e metódico. Juntamente com o seu assistente, este senhor rapta pessoas para brincar aos médicos-legistas, rebenta-lhes com os miolos à martelada no meio da rua e chega mesmo a arrombar casas para esfaquear quem quer que esteja lá dentro. Mas nunca deixa de ser uma pessoa encantadora. Como a certa altura do filme comunica, "Alugaste um filme de terror porque querias ver sangue e morte, e eu dou-te sangue e morte". No fundo, quem gosta de filmes de terror é um voyeur que se delicia com a desgraça alheia, e nesse sentido, Max Parry entretém-nos plenamente com a sua crueldade.



O Último Filme de Terror revelou-se uma proposta completamente original e inesperada, filme fortíssimo pleno de humor negro e crueldade, que nos faz rir e meditar sobre a fragilidade da vida humana. Um relato verdadeiramente fascinante sobre a mente de um assassino em série, que nos agarra desde o primeiro ao último segundo. Procurem-no nas lojas do Público, incluído na Série Fantas.



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FILME DE CULTO 10: TRAINSPOTTING

quarta-feira, março 22, 2006


Trainspotting: Hobby comum em países Aglo-Saxónicos, que se baseia na observação e anotação detalhada de todos os comboios, os seus números de série e anos de serviço, informação essa a ser partilhada entre outros Trainspotters.

Trainspotting: O título do primeiro romance de Irvine Welsh, editado em 1993. Uma colecção de histórias curtas interligadas pelo fio condutor da dependência pela heroína, numa Escócia cinzenta e depressiva. Vencedor do Booker Prize de 1993.

Trainspotting: Um filme de 1996, baseado no livro de Welsh. Realizado por Danny Boyle e interpretado por Ewan McGregor, Robert Carlyle, Jonny Lee Miller e muitos outros. As aventuras de um grupo de amigos envolvidos em drogas duras. Os seus assaltos, as suas tentativas de recuperação, as suas sobredoses, as suas mortes, as suas tragicomédias, observadas pacientemente pelo fantasma do vírus da SIDA.

Trainspotting: Um marco numa geração. A melhor campanha anti-droga alguma vez feita. Desperta um misto de curiosidade e desconforto, mas faz-nos desejar nunca termos de lidar com os mesmos problemas que as personagens do filme.

Trainspotting: Um bebé morto que caminha no tecto. Uma sanita com a profundeza de um oceano. Uma realidade a acontecer na vossa cidade, no vosso bairro, na vossa rua.

Trainspotting: Um filme independente escuro e doentio, que ainda assim conquistou audiências pelo mundo fora, nomeado na categoria de Melhor Argumento Adaptado nos Óscares de 1999.

Trainspotting: Um filme que completou 10 anos de idade no mês passado, mas que continua tão actual como sempre.

Trainspotting: Uma obra a rever regularmente. Dos melhores filmes dos anos 90. Disponível em tudo o que é sítio.



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FILME DE CULTO 9: O EXÉRCITO DAS TREVAS

segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Um clássico de culto. Uma ode à pancadaria com estilo. Um filme de Sam Raimi. Um ícone da série B em Bruce Campbell. Tudo isto é o Exército das Trevas.



O Exército das Trevas (Army of Darkness, no original) é a terceira e última parte da série Evil Dead, e pega na história precisamente onde tínhamos ficado no filme anterior. Ash, o herói principal, havia sido sugado para a Idade Média através dum portal criado pelo livro dos mortos, Necronomicon Ex Mortis.

Chegado à Idade Média, e apenas munido com a sua caçadeira, braço-motoserra e um carro que se revela pouco mais que inútil, Ash começa por ser escravizado pelos habitantes locais, que o olham primeiro com desconfiança, para depois o elevarem à categoria de salvador, acreditando na profecia de que um herói caído dos céus os salvaria dos mortos-vivos que assolam a região. Porém, depois de todos os seus amigos se terem tornado eles próprios mortos-vivos e da sua mão direita se ter virado contra si nos filmes anteriores, Ash já não é o típico herói pleno de virtudes, tornando-se arrogante, preconceituoso e acima de tudo, bronco que nem uma porta. E é aqui que reside a magia do Exército das Trevas.



No primeiro filme estamos perante o terror puro e duro. No segundo, o terror é intercalado por humor. Aqui, terror nem vê-lo. O Exército das Trevas é apenas um filme de acção carregado com humor físico e algumas das melhores frases-chave alguma vez encontradas numa película cinematográfica. Exemplos:

Quando a sua namorada medieval é possuída pelo demónio e o tenta atacar, depois de Ash se ter enganado nas palavras-chave que destruiriam para sempre o livro dos mortos e em vez disso ter libertado uma horda de mortos vivos:

Yo, She-Bitch! Let's go!

Na altura em que um morto vivo lhe grita "I'll swallow your soul!"

Come get some...

Quando dispara o seu primeiro tiro de caçadeira em frente aos cavaleiros medievais:

This is my BOOM stick!



São estas pequenas frases, envolvidas no contexto do filme, que tornam esta pérola num dos mais divertidos filmes de zombies de sempre, e que tornaram Bruce Campbell no meu herói de acção dos tempos de adolescente, bem à frente de Van Dammes, Seagals e afins. O Exército das Trevas, disponível nos melhores videoclubes e também naqueles videoclubes não tão bons que ainda têm Dvds mais velhinhos. Imagens, sons e um pequeno excerto vídeo podem ser encontrados aqui.

Hail to the king, baby!

Trailer:

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