meta name="robots" content="noindex" /> Contraculturalmente: Fevereiro 2006



OUTROS CULTOS 9: FANTASPORTO 2006

quarta-feira, fevereiro 22, 2006
(Primeiro, as minhas mais sinceras desculpas pelo tamanho deste post. Segundo, as minhas ainda maiores desculpas por não ter sido eu a escrever as sinopses dos filmes aqui apresentados... O tempo é escasso e o post é grande.)



O Fantasporto, o nosso Festival de Cinema Fantástico, apesar de só começar oficialmente a 24 de Fevereiro, já rola. Este Festival iniciou-se em 1981, e é hoje em dia tido em grande conta por revistas como a Variety, para além de ter introduzido em Portugal a Troma, casa-mãe de grandes películas de série B como o Vingador Tóxico (já analisado aqui logo no início do blog), Canibal, o Musical e o espalhafatoso Massacre na Selva. O trabalho e a distância serão impedimento para poder ver uma boa parte dos filmes que pretendo, mas ainda assim, conto este ano visitar pela primeira vez este Festival, e voltar cheio de filmes novos para analisar no meu cantinho.

Segue-se a lista dos filmes que já não vou ver e dos com que me irei deleitar daqui a uns dias. Não coloco todos os filmes do Festival pois nunca tencionaria visionar algumas das propostas apresentadas nem seria humanamente possível vê-los a todos. As sinopses apresentadas são copiadas directamente da programação oficial. Vamos a isto:


O que já perdi (e queria mesmo ver):

PLEASANT DAYS (Hun) de Kornél Mundruczó (Love Connection) – v.o. leg. ingl.



Um retalho da vida de uma qualquer cidade húngara, uma vida sem sonhos e demasiado dura para ser mentira, quando os sonhos da integração europeia se desfazem. Prémio Iris de Ouro do Festival de Montreal, Leopardo de Ouro do Festival de Locarno, Grande Prémio do Festival de Cinema de Sofia.

RAIN (Nov Zel/New Zel) de Christine Jeffs (Love Connection) – v. o. leg.port.



Há muitas histórias de adolescentes procurando saber qual o seu lugar na sociedade e adaptar-se ao desenvolver da sua própria sexualidade. Mas poucas com o impacto e beleza deste primeiro filme da realizadora Christine Jeffs. “Rain” leva-nos ao coração de uma família em férias junto ao mar, numa lugar isolado. A família como espaço de desencontro.

ANGELS GUTS - THE DARKEST MEMORIES (Jap) de Chusei Sone (Love Connection) – v.o. leg. ingl.



A estrela de filmes pornográficos, Nami, vai fazer sofrer um fotógrafo, obcecado pela jovem quando a vê em “acção”. O fotógrafo convence-a a posar para ele. “Angel Guts” inverte os papéis sexuais. Polémico e provocador quanto baste.

SPIRIT TRAP (GB/UK) de David Smith (Première & Panorama) – v.o. ingl.



Quatro jovens estudantes mudam-se para uma mansão desocupada. Já dentro da mansão, os estudantes conhecem a quinta companheira, uma exótica e misteriosa rapariga. Quando Nick coloca um velho relógio a funcionar, coisas estranhas começam a acontecer. Um exemplo do novo cinema britânico de terror.

O que passa hoje e nos próximos dias (e que não vou ver à mesma):

THE WOMAN WITH THE RED HAIR (Jap) de Tatsumi Kumashiro (Love Connection) – v.o. leg. ingl.



“The Woman With The Red Hair” explora o lado negro do sexo e do amor, numa cidade conservadora. Tatsumi Kumashiro realiza aquele que é considerado um dos melhores filmes do género, entre o romântico e o soft core.

THE BOW (Cor Sul, Jap/South Kor, Jap) de Kim Ki Duk (SO Semana dos Realizadores/Orient Express) – v.o. leg. ingl.



Selecção oficial “Un Certain Regard”, do Festival de Cannes 2005, este é o mais recente filme de Kim Ki Duk, o celebrado realizador de “The Isle” e “3-Iron”. Num barco de pesca, em alto mar, um homem de 60 anos tem vindo a educar uma jovem desde a sua infância. Polémico e perturbante, com a extraordinária beleza plástica a que o cineasta nos habituou.

A TALE OF TWO SISTERS (Cor Sul/South Kor) de Kim Ji-woon (Première & Panorama)



O terror gótico ao mais alto nível, vindo de uma cinematografia que nos habituou ao melhor - a sul-coreana - e de um realizador já multi-premiado no Fantas com “The Quiet Family” e “The Foul King”. O regresso a casa de duas irmãs gémeas vai-se tornar num inferno por causa da sua maquiavélica madrasta. Um thriller psicológico de grande intensidade dramática e de emoções fortes.

COISA RUIM (Por) de Tiago Guedes e Frederico Serra (SO Cinema Fantástico)



O primeiro filme português a entrar em concurso na Secção Oficial de Cinema Fantástico do Fantasporto e a ter a honra de ser filme de Abertura. Em antestreia mundial, é realizado pela dupla Tiago Guedes e Frederico Serra, a equipa vencedora de “Alta Fidelidade”, com argumento de Rodrigo Guedes de Carvalho. Uma família lisboeta recebe como herança uma mansão, numa pequena aldeia do interior serrano. Com a casa, diz o povo, vem também uma maldição antiga.

FROSTBITEN (Sue/Swe) de Anders Banke (SO Cinema Fantástico) – v.o. leg. ingl.



Uma antestreia mundial no Fantasporto 2006. Em pleno Inverno, a médica Annika e a sua filha Saga, de 17 anos, vão começar uma nova vida, mas cedo se apercebem de que a sua nova cidade carrega uma pesada maldição. O terror vindo do frio. Um filme de vampiros moderno e atraente, para cativar novos públicos.

SAMARITAN GIRL (Cor Sul(South Kor) de Kim Ki Duk (SO Orient Express)



Uma análise amarga da prostituição e das suas consequências. O realizador sul coreano, Kim Ki Duk, volta ao tema, depois de “O Bordel do Lago” (2000). Jae-Young é uma jovem prostituta. A sua melhor amiga, Yeo-Jin, é a sua proxeneta. Um dia Jae-Young apaixona-se por um cliente. No outro dia, para não ser apanhada pela polícia, Jae salta de uma janela.

DEAD MEAT (Irl) de Conor McMahon (SO Cinema Fantástico)



O primeiro filme irlandês de zombies. Uma mistura de gore, humor e acção, num série z. Helena e Martin passeiam de carro pelo campo quando, sem querer, atropelam um homem. Pensando que o mataram, colocam o corpo no banco de trás do automóvel. Sem mais, nem porquê, o homem acorda e dá uma grande dentada no pescoço de Martin.

O que tenciono ver, se não me roubarem a folga como já vem sendo hábito (de 3 a 5 de Março):

SICK AND TWISTED FESTIVAL OF ANIMATION (EUA/USA) de Spike e Mike (Première & Panorama)



“The Sick and Twisted Festival of Animation” começou em 1990. Um lote de animações revoltantes ou com conteúdo adulto demasiado picante para uma série de animação clássica. O objectivo era promover a animação marginal.

SARS WARS (Tai/Thai) de Taweewat Wantha (Premiére & Panorama)



Um surpreendente filme de zombies tailandês, uma cinematografia que se está a impôr no panorama internacional. “Sars War” é uma mistura da mais pura série Z, com a paródia declarada aos clichés do cinema de terror e acção. A quarta geração de virus SARS foi encontrada em África. É o mais mortal de todos os virus conhecidos, transformando os doentes em mortos-vivos sedentos de sangue.

HOSTEL (EUA/USA) de Eli Roth (Premiére & Panorama)



Quentin Tarantino é o produtor. Eli Roth , o realizador. Mais macabro que “Cabin Fever”, “Hostel” junta uma série de situações aterradoras. E é, sem dúvida, o candidato ao melhor filme “gore” do ano. Paxton e Josh andam em viagem pela Europa e vão ser atraídos para uma estalagem numa remota aldeia eslovaca cheia de mulheres deslumbrantes.

SUPER NOVA (Fra) de Pierre Vinour (Première & Panorama)



O realizador Pierre Vionour, tem “uma aproximação muito onírica da ficção, ao estilo de David Lynch” (Première). “Supernova” é uma experiência sensorial nos campos do amor, metamorfose e morte. Ao passear por uma estrada deserta nas montanhas, o advogado Simon Peyrelevade é atraído para uma estranha rocha. Quando toca na pedra, entra em coma.

HAIR HIGH (EUA/USA) de Bill Plympton (Retro Plympton) – v.o. leg port.



O mais recente filme de Plympton, é uma história próxima do universo de “Carrie” de Stephen King e De Palma, em tom de comédia de terror gótico, ambientado no meio estudantil adolescente. O Baile dos Finalistas da Faculdade vai ser uma noite “de gritos”. O delírio visual de Plympton na melhor animação.

E, possivelmente, alguns dos filmes que entretanto perdi, na sessão de premiados de Domingo...

Encontramo-nos por lá?

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FILME DE CULTO 9: O EXÉRCITO DAS TREVAS

segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Um clássico de culto. Uma ode à pancadaria com estilo. Um filme de Sam Raimi. Um ícone da série B em Bruce Campbell. Tudo isto é o Exército das Trevas.



O Exército das Trevas (Army of Darkness, no original) é a terceira e última parte da série Evil Dead, e pega na história precisamente onde tínhamos ficado no filme anterior. Ash, o herói principal, havia sido sugado para a Idade Média através dum portal criado pelo livro dos mortos, Necronomicon Ex Mortis.

Chegado à Idade Média, e apenas munido com a sua caçadeira, braço-motoserra e um carro que se revela pouco mais que inútil, Ash começa por ser escravizado pelos habitantes locais, que o olham primeiro com desconfiança, para depois o elevarem à categoria de salvador, acreditando na profecia de que um herói caído dos céus os salvaria dos mortos-vivos que assolam a região. Porém, depois de todos os seus amigos se terem tornado eles próprios mortos-vivos e da sua mão direita se ter virado contra si nos filmes anteriores, Ash já não é o típico herói pleno de virtudes, tornando-se arrogante, preconceituoso e acima de tudo, bronco que nem uma porta. E é aqui que reside a magia do Exército das Trevas.



No primeiro filme estamos perante o terror puro e duro. No segundo, o terror é intercalado por humor. Aqui, terror nem vê-lo. O Exército das Trevas é apenas um filme de acção carregado com humor físico e algumas das melhores frases-chave alguma vez encontradas numa película cinematográfica. Exemplos:

Quando a sua namorada medieval é possuída pelo demónio e o tenta atacar, depois de Ash se ter enganado nas palavras-chave que destruiriam para sempre o livro dos mortos e em vez disso ter libertado uma horda de mortos vivos:

Yo, She-Bitch! Let's go!

Na altura em que um morto vivo lhe grita "I'll swallow your soul!"

Come get some...

Quando dispara o seu primeiro tiro de caçadeira em frente aos cavaleiros medievais:

This is my BOOM stick!



São estas pequenas frases, envolvidas no contexto do filme, que tornam esta pérola num dos mais divertidos filmes de zombies de sempre, e que tornaram Bruce Campbell no meu herói de acção dos tempos de adolescente, bem à frente de Van Dammes, Seagals e afins. O Exército das Trevas, disponível nos melhores videoclubes e também naqueles videoclubes não tão bons que ainda têm Dvds mais velhinhos. Imagens, sons e um pequeno excerto vídeo podem ser encontrados aqui.

Hail to the king, baby!

Trailer:

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MÚSICA DE CULTO 9: THE PRESIDENTS OF THE UNITED STATES OF AMERICA

quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Ah, e que bem que sabe reencontrar uma das minha bandas preferidas da minha adolescência, quando os julgava mortos e enterrados... Os Presidents of The United States of America estão de volta!



Nascidos na fria e cinzenta Seattle mais ou menos a meio da década de 90, os PUSA conquistaram um público fiel à volta do planeta, derivado ao seu punk-pop-rock extremamente bem humorado. Músicas como Lump e Peaches continuam no ouvido de muito boa gente, apesar destas cantigas contarem já com 10 anos em cima... Os PUSA estavam em todas, tocaram em tudo o que era sítio, lançaram um segundo disco, continuaram em todas, continuaram a tocar em tudo o que era sítio, e depois... Acabaram. 1997 viu chegar às prateleiras das lojas Pure Frosting, uma compilação de raridades e músicas ao vivo, onde se encontrava a afamada versão de Video Killed The Radio Star, sendo este o seu canto do cisne...

Até agora! Andava eu a passear por uma pequena loja de discos em Faro quando dou de caras com Love Everybody, o mais recente disco dos Presidents of The United States of America! Editado em 2004, Love Everybody trás de volta a guitarra de 3 cordas, o baixo de 2 cordas e a bateria de brincar que os caracterizava. Ao todo são 14 faixas curtinhas, surpreendentemente refrescantes e divertidíssimas. Destaque para o instrumental Surf's Down, para a estupidez de Jennifer's Jacket e para a ultra-viciante Some Postman, uma cantiga das melhores que ouvi nos últimos tempos. Sorriso estampado na cara garantido! Perante o panorama sisudo das bandas Indie dos últimos tempos, talvez esteja na hora de voltar a descobrir The Presidents of The United States of America!



Video:




Some Postman

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BD DE CULTO 9: LENORE THE CUTE LITTLE DEAD GIRL

quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Como havia sido prometido há muitos meses atrás, hoje a secção BD de Culto debruça-se sobre as aventuras de Lenore, The Cute Little Dead Girl.



Lenore é uma personagem do grande Roman Dirge, inspirada no poema com o mesmo nome de Edgar Allan Poe. A estória principal centra-se numa menina que aparenta não ter mais de 8 anos, loura, pequenina e simpática. O seu único problema reside na condição clínica de que padece (está morta). Fascinada por gatos, Lenore passa a vida (morte) a matar e mutilar todos os que se atravessam no seu caminho, ainda que inocentemente, pois uma menina morta não consegue distinguir muito bem a fronteira entre o bem e o mal...

Num estilo muito próprio, Roman Dirge destrói o imaginário infantil de forma imaginativa e persistente. O coelho da Páscoa, os gnomos da floresta, as lengalengas infantis, tudo é deliciosamente pervertido em Lenore, the Cute Little Dead Girl. Humor negro do melhor que se pode encontrar em BD, ilustrado a preto e branco como não poderia deixar de ser.

De momento existem duas compilações de histórias de Lenore (Trade-Paper Backs, em "Americano"). O primeiro TPB intitula-se Noogies e compila os números 1 até ao 4. O segundo chama-se Wedgies e vai do número 5 até ao 8. Entretanto está para sair um 3º TPB. Para obter algum destes livros, recomendo como já vai sendo habitual a Shop Suey Comics (e eles não me pagam nada por isso...). Se ainda assim a minha prosa não vos deixou convencidos, deixo-vos com este site, onde poderão assistir a episódios animados em Flash, directamente inspirados nas primeiras aventuras de Lenore.

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LITERATURA DE CULTO 9: CASEI COM A MINHA IRMÃ

quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Eurico A. Cebolo é um homem que dedicou toda a sua vida à música. Segundo a sua biografia oficial, iniciou-se musicalmente em Moçambique aos 16 anos tendo ganho variados prémios durante o período em que residia por África (Ganhou o prémio de melhor canção portuguesa no Festival Hispano-Português de Aranda del Duero de 1962, vejam lá). Porém, em 1975, Cebolo teve um azar. O carro em que seguia embateu de frente contra um camião, morrendo-lhe o primo e reduzindo a capacidade da sua mão direita em 50%. Perdeu-se um músico-concertista, ganhou-se um chato do caraças!



Após o acidente, Cebolo virou-se para o ensino musical, para mal dos nossos pecados. São de sua autoria livros como o Solfejo Mágico, Música Mágica, Piano Mágico, Arpejo Mágico, etc, etc, etc, etc... E toda a santa criancinha nos anos 80 sofria a aprender música com os livrinhos do Cebolo... E é engraçado como hoje em dia ninguém sabe o que fez aos malditos livros, autênticas peças kitsch! Ora vejam bem as capas de dois exemplares bem afamados...





Não contente com o facto de nos torturar com a porcaria do Solfejo Mágico e afins, Eurico A. Cebolo virou-se para uma carreira como romancista, carreira essa em que teve muito menos sucesso... Romances com nomes como O Falo Perdido ou O Violador das Mortas deviam fazer parte das estantes de toda a gente... O livro analisado hoje intitula-se Casei Com a Minha Irmã!



Bem, sinceramente, por muito que poderia escrever aqui, nunca seria capaz de fazer justiça à magnitude desta obra de Cebolo. Assim sendo, nada como o próprio Cebolo para descrever esta obra. Aqui vai o texto incluído no prefácio:

"CASEI COM A MINHA IRMÃ" é um romance onde o espírito criador, a capacidade de imaginação e a grande versatilidade cativam o leitor que, entrando nesta teia tão bem urdida, estará sempre ansioso pela página seguinte. Num estilo muito próprio, sóbrio e sem quaisquer rebuscamentos, deliciamo-nos com a pureza de linguagem de um Eça, a fecundidade de ideias de um Camilo e o encanto e simplicidade de um Torga. Em "CASEI COM A MINHA IRMÃ" é burilada uma estória que poderia ser verídica e ter acontecido em qualquer tempo e lugar. Maria Alice perdeu a mãe, tragicamente, e apaixona-se pelo filho da patroa, que a expulsa. Mais tarde é dada como morta no desastre ferroviário de Alcafache e o rapaz que a desonrou casa com a própria irmã."

Não estão ainda convencidos da qualidade de Casei Com a Minha Irmã? Convido-vos então a ler este pequeno excerto:

"[Maria Alice] embrenhada nestes tristes pensamentos, e sem saber que rumo dar à vida, nem se apercebeu que um indivíduo com todo o aspecto de marginal se sentara no mesmo banco que ela ocupava e a mirava, descaradamente. Receosa, olhou de soslaio tentando descortinar as intenções do homem; este, como se lesse o seu pensamento, logo lhe tirou qualquer dúvida com as palavras que lhe dirigiu:

- Olá, pombinha! Esperavas alguém que te fizesse companhia? Tens sorte, já que eu ando à procura duma chavala que queira curtir comigo. Manjei logo que és boazona e se quiseres alinhar numas curvas não te arrependerás porque eu sou capaz de dar a volta ao capacete à mais pintada - falando assim o tunante foi-se aproximando até se encostar a ela.

A rapariga, cheia de medo por aquilo que escutara e pelo mau aspecto do rapaz, fez menção de levantar-se suplicando:

- Por favor, deixe-me em paz. Engana-se no que pensa de mim. Sou uma moça séria a quem a desgraça bateu à porta.

- Ora, minha linda, sem tangas; dizeis sempre isso, mas andais sempre todas ao mesmo; eu já topo o vosso paleio - e o vadiola pôs-lhe um braço pelos ombros.

Revoltada, ela pregou-lhe um safanão e aproveitando o seu desequilíbrio correu para fora do jardim. Olhou para trás, e vendo que ele não desistia de a perseguir, na ânsia de lhe escapar, imprudentemente, tentou atravessar a rua. Em tão má hora que foi colhida por um automóvel que circulava a grande velocidade. Ouviu-se uma travagem brusca acompanhada de estridente chiadeira de pneus. Tudo em vão e num ápice, já que o condutor não conseguiu evitar o acidente. O choque deu-se com muita violência. O corpo da desditosa criatura, projectado alguns metros pelo ar, estatelou-se no outro lado da larga via..."


Qual Eça, qual Torga, qual Camilo! Eurico A. Cebolo ao Panteão Nacional!


Encontra-se à venda aqui

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