meta name="robots" content="noindex" /> Contraculturalmente: Fevereiro 2007



OUTROS CULTOS 21: LIDL

terça-feira, fevereiro 27, 2007
(agradecimento ao compincha W. pela sugestão)

Hoje, no Contraculturalmente...

Tudo o que sempre quis saber sobre o LIDL e nunca se atreveu a perguntar!

A cadeia de supermercados Lidl como a conhecemos hoje teve a sua origem na Alemanha, nos idos anos 70. Ditam os livros de história que o primeiro supermercado Lidl foi formado por um antigo professor de seu nome Ludwig Lidl. Na altura, Lidl (o professor) dedicava-se à venda de fruta. Um comerciante chamado Josef Schwarz, proprietário da Schwarz Lebensmittel-Sortimentsgrosshandlung, vendo ali oportunidade de negócio, uniu o seu império de carnes fumadas e peixe seco ao novo reino emergente de verduras e hortaliças. Nasce então a Lidl&Schwarz (abreviatura do menos orelhudo Lidl&Schwarz Lebensmittel-Sortimentsgrosshandlung), que em 1977 contava já com 30 supermercados de preços baixos e qualidade duvidosa. Actualmente, qual praga, existem mais de 5000 "líderes" espalhados por 17 países, especialmente na Europa.

(Interior de um Lidl na Alemanha. Descubra as diferenças)



O que distingue o Lidl dos demais supermercados? O preço? Todos apregoam terem os preços mais baixos, e os do Lidl são realmente baixos, mas nada de relevante. O aspecto? O facto de todos os Lideles serem iguais aqui ou na Eslováquia não abona muito a favor da cadeia... O Logótipo? Facilmente reconhecível a 10 milhas de distância, assim como o logótipo do Modelo ou do Pingo Doce... O jornal Dica da Semana? Salta da minha caixa do correio para o caixote do lixo. A disposição anárquica dos itens? Um ponto muito forte a favor da cadeia, mas que itens?

O valor do Lidl encontra-se nos seus produtos. E não falo dos pacotes de leite e garrafões de água de marcas já bem estabelecidas entre o público. Falo mesmo dos seus produtos. Dos produtos marca Lidl, e de produtos com nomes tão difíceis de pronunciar que se torna óbvio qual o seu local de proveniência, com natural destaque para os produtos alimentares.

Pérolas:

O gelado do Lidl:



As fatias de pizza do Lidl:



As bolachinhas vendidas ao quilo do Lidl:



O (entretanto desaparecido) Kebab do Lidl:



O novo arroz de pato do Lidl, o meu novo preferido:



A única e inimitável lasanha do Lidl (tão única e inimitável que não encontrei uma única imagem da mesma)

E a FIIIIINK BRÄUUUUUU!:



E o melhor é que tanto a lasanha como a pizza e o arroz de pato só necessitam de ir ao microondas, são pratos deliciosos (a lasanha é melhor que certas que comi em restaurantes "ditos" Italianos), baratos, e fazem um brilharete em dias de visitas-surpresa. Uma cadeia de fast-food só à base da lasanha é uma ideia a ter em conta... Lidl, o supermercado amigo do jovem inapto na cozinha!

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FILME DE CULTO 21: KIDS

segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Quando somos adolescentes nada nos pode parar. Não há doença que nos deite abaixo e as guerras só acontecem na televisão. Não temos preocupações nem contas para pagar, e no entanto somos ingratos para quem nos proporciona essa vida longe de angústias e encargos. Temos direito a tudo e queremos tudo a que temos direito. Afinal, somos invencíveis, certo?


Kids, de 1995, é um pseudo-documentário sobre a juventude urbana dos anos 90 (não me parece que os adolescentes de hoje sejam muito diferentes). Filmado com handycams nervosas, acompanhamos um dia de um grupo de miúdos entre os 10 (!) e os 17 anos. As suas experiências relacionadas com sexo e drogas, violência gratuita (com uma das cenas de pancadaria mais brutais da história do cinema), engates, festas e mais sexo e drogas, num niilismo desprovido de valores que poderá parecer chocante de tão verdadeiro. O primeiro filme de Larry Clark é um trabalho realista e duríssimo, não aconselhado a todas as mentes, sendo esta uma constante nas demais criações deste fotógrafo/realizador.

O enredo de Kids é simples e eficaz. Telly, um skater adolescente, tem apenas uma objectivo no mundo. Desvirginar o maior número de raparigas que conseguir, tendo como desculpa que com virgens não se apanha SIDA. O que Telly não sabe é que ele próprio é portador de HIV, contribuindo grandemente para espalhar a doença. Jennie, uma das suas "conquistas", atravessa a cidade numa tentativa desesperada para o avisar desse facto.

Kids, que chegou a ser descrito como "um pesadelo de depravação" pelo antigo senador Norte-Americano Bob Dole, encontra-se com relativa facilidade em clubes de video. Há não muito tempo, saiu em DVD inserido na Série Y do Público, série essa que entretanto já se vende um pouco por todo o lado, desde tabacarias até mesmo à Fnac. Fácil de encontrar, portanto.



Trailer:

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MÚSICA DE CULTO 21: COLD WAR KIDS

domingo, fevereiro 25, 2007
Um repositor de supermercado poderia tentar encaixar esta banda nos separadores Pop, Rock, Blues, até mesmo Gospel. Porém, não existe no panorama musical da actualidade nada que se assemelhe aos Cold War Kids, musical e artisticamente. Abençoado separador Indie!



Os Norte-Americanos Cold War Kids praticam, com o seu baixo pesado, piano desafinado, guitarra fora de tempo, muita bateria e percussão e uma voz que faz a espaços recordar Jeff Buckley, um tipo de música estranhamente viciante e orelhuda, quente e desconfortável ao mesmo tempo. A sua sonoridade é uma montanha russa musical e emocional, que nos eleva calmamente para depois nos descarregar sem travões pela encosta abaixo, atirando-nos enérgica e violentamente para a lama para nos lavar com um jacto de pressão logo de seguida.

Disco de estreia, Robbers & Cowards, de 2006.


Robbers and Cowards é um disco e ambiente denso e negro, sendo ao mesmo tempo de uma simplicidade crua que se vai complicando após repetidas audições. Como o título indica, o roubo e a cobardia são temas recorrentes nas letras de cada tema. A primeira faixa, We Used to Vacation, narra a história de um homem perdido na bebida, colocando a sua família em segundo plano. Passing the Hat fala de alguém que rouba esmolas à porta da Igreja. Saint John (a minha preferida) é sobre um assassino no corredor da morte, à espera de um perdão, apesar de ter feito justiça ao interromper a vida do violador da sua irmã. E a frase em Robbers, "robbing from the blind is not easy", diz tudo sobre a mesma.

Estranhamente (ou talvez não) o sentimento que passa de Robbers and Cowards, é o de uma banda de jovens honestos e criativos gerando música ao mesmo tempo que se divertem a tocar uns para os outros. É quase como ter o privilégio de poder entrar na sala de ensaios dos Cold War Kids e ouvi-los a brincar com sons e palavras como o fazem na sua estreia. Para ouvidos bem abertos.

Noutros assuntos, um EP ao vivo de seu nome Acoustic at the District poderá ser encontrado aqui. Não é tão bom quanto o album, e na verdade só comecei a gostar realmente dele depois de dissecar Robbers and Cowards. Um pitéu para quem já conhece Cold War Kids, dispensável para todos os outros.

Video: Hang Me Up To Dry

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BD DE CULTO 21: BIG GUY AND RUSTY THE BOY ROBOT

sábado, fevereiro 24, 2007
Estamos em Tokyo, cidade onde tudo acontece. Cientistas criam acidentalmente um Dinossauro falante de dimensões colossais que rapidamente espalha o caos na cidade, rebentando com tudo e todos, e criando com a sua saliva um exército de répteis apreciadores de carne humana. Cabe a Rusty e Big Guy, a maior dupla robótica de todos os tempos, parar esta ameaça para que a "suposta" capital Japonesa sobreviva para futuros ataques.



Big Guy and Rusty, the Boy Robot, um livro de Geof Darrow e Frank Miller é uma visão ocidental do mundo super-heróico Japonês, com todos os clichés. À invasão de Tokyo por um ser em tudo semelhante a Godzilla, respondem prontamente os governos Japonês e Americano com um pequeno andróide inspirado no clássico Astroboy e um típico robot gigantesco capaz de carregar duas bombas de neutrões debaixo dos braços.

A arte detalhada ao mais ínfimo pormenor de Darrow encontra na escrita violenta de Miller o casamento perfeito. A história, essa, assente simplesmente em destruição, destruição, destruição. E violência. E algum gore. E muito divertimento sem malícia. O ritmo da acção perde-se um pouco no estilo da arte, demasiado complicada para uma estória que se quer rápida e brutal. No entanto, longe de ser uma falha, este pormenor permite-nos sorver mais praseirosamente cada membro dilacerado, cada digestão reptiliana, cada explosão. Um pouco como fast-food e "slow food". Tudo bem que a fast-food alimenta e até poderá saber bem, mas não sabe sempre melhor uma boa refeição completa com sopa/prato/sobremesa/café?




Big Guy and Rusty the Boy Robot, editado pela Dark Horse, em dois volumes ou TPB. Para encomendar e recomendar.

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LITERATURA DE CULTO 21: A MORTE MELANCÓLICA DO RAPAZ OSTRA E OUTRAS ESTÓRIAS

sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Nas dunas, pediu-lhe casamento,
à beira-mar se casaram.
Na ilha de Capri celebraram
esse tão grande momento.

À ceia jantaram um prato sobejo;
uma bela caldeirada de peixe e marisco.
E, enquanto ele saboreava o petisco,
no seu coração ela pediu um desejo.

O seu desejo tornou-se realidade: teve um bebé.
Mas seria um ser humano?
Pois é,
na verdade,
tinha dez dedos nos pés e nas mãos,
tinha visão e circulação.
Podia ouvir, podia sentir,
mas seria normal?
Isso não.

Este nascimento aberrante, este cancro, esta praga
foi o princípio e o fim de toda uma saga.

Ela zangou-se com o doutor:
"Esta criança, não é minha.
Cheira a maresia, a salmoura e a tainha."

"Olhe que tem sorte, ainda a semana passada
tratei de uma miúda com crista e rabo de pescada.
Se o seu filho é meio ostra
não me venha acusar...
...já pensou por acaso
numa casinha à beira-mar?"

Sem saber que lhe chamar,
chamaram-lhe Alves,
ou, às vezes,
"aquela coisa da espécie dos bivalves."

Toda a gente se perguntava, mas ninugém sabia
quando é que da concha o Rapaz Ostra saía.

Quando os quatro gémeos Lopes um dia o foram ver,
chamaram-lhe amêijoa e desataram a correr.

Num dia azarado,
Alves ficou encharcado
à esquina da rua Miramar.
Cabisbaixo,
viu a chuva rodopiar
pela sarjeta abaixo.
Na auto-estrada, a sua mãe,

à beira de um esgotamento,
esmurrava o painel dos instrumentos -
não conseguia conter
a dor crescente,
a frustração
que a fazia sofrer.

"Olha, querido", disse ela,
"isto não é para ter piada,
mas eu já não pesco nada
e acho que é do nosso filho.
Não gosto de o dizer, pois sou a mulher que te ama,
mas tu culpas o nosso filho pelos teus problemas na cama."

Ele bem se aplicou, com muito denodo;
tentou salvas e unguentos
que lhe faziam comichões,
tintura de iodo,
mezinhas e poções.
Coçou-se e sangrou e esmifrou-se todo.

Até que o médico diagnosticou:
"Eu não sei de ciência,
mas a cura do seu problema pode ser o que o causou.
Dizem que comer ostras aumenta a potência:
talvez se comer a criança
fique cheio de pujança."

Ele foi pela calada,
estava escuro como breu.
Tinha a testa suada
e nos lábios - uma mentira ensaiada:
"Filho, és feliz? Não me quero intrometer,
mas nunca sonhas com o Céu?
Nunca quiseste morrer?"

Alves pestanejou duas vezes
mas não ripostou.
O pai tacteou o punhal
e a sua gravata aliviou.

Pegando no filho ao colo,
Alves pingou-lhe a lapela.
Levando a concha aos lábios,
despejou-o pela goela.

Depressa o enterraram na areia junto ao mar
- uma prece rezaram, uma lágrima derramaram -
e para casa voltaram à hora do jantar.

A camp do Rapaz Ostra foi marcada com uma cruz.
Palavras escritas na areia
prometiam a salvação de Jesus.

Mas a sua memória perdeu-se numa onda de maré-cheia,

De volta à paz do lar,
ele beijou-a a arfar:
"Que tal uma rapidinha?"

"Mas desta vez", sussurrou ela, "quero uma rapariguinha."




A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias, escrito e ilustrado por Tim Burton, esse Edgar Allan Poe dos tempos modernos, pela primeira vez numa edição portuguesa de fácil acesso. Uma recolha de contos tradicionais saídos da mente de Burton, em brilhante tradução. Inclui, além da história do rapaz ostra, as lindas fábulas do rapaz nódoa, do rapaz torresmo, de Crispim, o hediondo rapaz pinguim, do rapaz com pregos nos olhos e da rapariga com olhos fora de série, entre muitas outras, num total de 23. É de guardar junto à mesinha de cabeceira para soninhos descansados, antes que seja tarde. Encontra-se (por enquanto) em qualquer livraria.

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OUTROS CULTOS 20: INVADER ZIM

quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Invader ZIM é um pequeno soldado alienígena do planeta Irk, banido após ter praticamente destruído o seu mundo natal na sua primeira missão. Após muita insistência, é-lhe oferecida uma segunda oportunidade a ZIM como forma de redenção: contribuir para a expansão do império Irkeano, tendo para isso a missão de conquistar um planeta longínquo nos confins do universo, com o estranho nome “Terra”. Chegando a esse tal planeta “Terra”, ZIM procura aniquilar a raça humana, tendo como única força de oposição um menino obcecado pelo oculto e paranormal de seu nome Dib Membrane.



Mais uma criação do genial Jhonen Vasquez, que aqui se estreia na animação, Invader ZIM é um desenho animado infantil direccionado para gente grande, razão pela qual a série acabou por ser cancelada pela Nickelodeon a meio da segunda temporada. Sem grande surpresa, o enredo de Invader ZIM gira em torno do alienígena e de GIR, o robô com estupidez artificial possuidor de uma estranha fixação por porcos e derivados, e da sua demanda em transformar a terra na próxima estância de férias dos Irkeanos, um pouco à semelhança do que os Ingleses fizeram do Algarve.

Os episódios são completamente imbecis, sendo a estupidez de ZIM e GIR especialmente insultuosa. Num dos episódios, uma borbulha nasce na testa de ZIM, que descobre que a sua pequena erupção cutânea tem o poder de hipnotizar os humanos. Para disfarçar, desenha-lhe uma cara e baptiza-a de Pustulio.

As edições em DVD de Invader ZIM são também um mimo. Os episódios comentados pelo realizador Ted Raimi e pelos argumentistas Jhonen Vasquez e Roman Dirge (Lenore, the Cute Little Dead Girl) poderão, por exemplo, ser substituídos por comentários suínos, e nas opções de legendagem, podemos ver a série legendada em Irkeano (embora o Português não esteja disponível, sendo este um DVD que se encontra em lojas de importação ou por encomenda na internet).


Para quem conhece o trabalho de Vasquez em BD (Johnny The Homicidal Maniac, Squee!) Invader ZIM é essencial. Para quem gosta de desenhos animados, imbecilidade, bons diálogos, piadas escatológicas e, acima de tudo, porcos, Invader ZIM é uma excelente proposta.

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FILME DE CULTO 20: FRANKENHOOKER

terça-feira, fevereiro 20, 2007
Jeffrey, Um electricista com apetência para a ciência participa num barbecue na casa de sua sogra, resolvendo nesse evento testar a sua mais recente invenção, o corta-relvas comandado à distância. Subitamente, como se ganhasse vida própria, o corta-relvas ataca a namorada de Jeff, deixando apenas um braço e a cabeça por retalhar. Jeffrey passa a ter como missão trazer de volta ao mundo dos vivos a vida ceifada por aquele corta-relvas do inferno. É este o início de Frankenhooker, de 1990.



Frankenhooker é o filme que junta pela primeira vez o fascinante universo de Frankenstein com o não-menos fascinante mundo da prostituição de rua. Jeff, consumido pela culpa, utiliza todos os seus conhecimentos para reanimar a sua namorada retalhada. Para tal, resolve utilizar pedaços de prostitutas para completar o corpo da sua amada. O problema é que Jeff é um homem de princípios, e como tal, assassinar está fora de questão. Solução: Um espectacular novo invento, uma droga que, a ser fumada, causa a explosão do corpo da vítima. Jeffrey reúne assim um assinalável grupo de senhoras da vida para uma orgia de sexo e drogas, completa com luz, cor, nudez explícita, nádegas e seios voando pela sala fora. Reunidas as partes corporais necessárias, subitamente a falecida amada regressa à vida. Porém, com um corpo refeito à base de várias prostitutas, a reacção natural da Frankenhooker é voltar a atacar na rua...


Frankenhooker não é, obviamente, um filme de terror, mas sim uma comédia negra das mais imbecis. Como se tudo o que foi escrito até aqui não chegasse para convencer o leitor desse facto, acrescente-se que o cientista necessita de efectuar esporadicamente escavações na sua própria cabeça recorrendo ao auxílio de um berbequim para o ajudar a pensar com mais clareza, e qualquer acto de cariz sexual com Frankenhooker implica reacções eléctricas e mais membros explosivos, desta feita órgãos reprodutores dos infelizes clientes desta amálgama de prostitutas. Divertimento sem malícia para toda a família!

Frankenhooker dificilmente se encontra à venda, pelo que a solução para encontrar esta maravilha da 7ª arte terá de passar pelo download ilegal (coff*torrents*coff). Um fantástico filme mau. Um terrível filme bom. Uma bosta com pinta!

Trailer:

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Noutros assuntos...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007


Já sei que LOVE
Tu me ensinaste, é amar, é acarinhar
Canta comigo, amor:
LOVE!
Se me enganar nas sílabas
Vamos recomeçar!


MP3: Madi - Lição de Português

FELIZ DIA DOS ENCALHADOS!

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MÚSICA DE CULTO 20: SUBURBAN KIDS WITH BIBLICAL NAMES

quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Existe um brinquedo novo para todos os melómanos que dá pelo nome de Last.fm. Este programa/site analisa toda a música ouvida nos nossos computadores pessoais, criando listas das nossas preferências musicais, e apresentando tanto pessoas com gostos similares como sugestões baseadas naquilo que ouvimos. Obviamente que o programa não se limita a estas opções, existindo ainda a oportunidade de ouvir "rádios" baseadas em tags que vão sendo atribuídas às musicas pelos utilizadores, e um milhar de outras pequenas opções que só fazem sentido para quem usufrui desta maravilha dos tempos modernos. Resumindo, um last.fm bem utilizado pode dar a conhecer praticamente tudo o que se faz musicalmente pelo mundo fora, com tudo o que de bom e de mau possa resultar da experiência. As possibilidades são infinitas.

Entre as descobertas que me foram apresentadas, a que me assentou melhor até à data foi uma pequena banda independente chamada Suburban Kids With Biblical Names.




Os Suburban Kids With Biblical Names são dois jovens Suecos, praticantes de uma Pop simples e bem-humorada, criada nos corredores e armazéns da casa de seus pais, e depois transposta para computador onde são adicionados uma série de efeitos que lhes dão vida. As suas músicas encontram-se repletas de referências a outros bons artistas (Pavement, The Smiths, Silver Jews, aos quais foram buscar o nome para a banda), e ainda que este projecto não se deixe levar muito a sério, os Suburban Kids With Biblical Names editaram já dois EPs e um album, intitulado #3.



#3, o curioso disco de estreia dos Suecos, é simples, directo e estranhamente viciante. Às melodias acústicas são coladas batidas electrónicas, palmas, uivos, xilofones e tudo o que se soltar da imaginação da dupla. Deste caldeirão saem belas cantigas de fazer bater o pé no soalho. Grande parte das canções saltitam entre o alegre e o eufórico, apesar das vocalizações serem graves, por vezes soturnas. Exemplo perfeito encontra-se no tema Funeral Face, uma canção Kuduro-Callypso-Mariachi-Eurodance cheia de energia sobre um stalker que não sabe sorrir.

Aliadas às melodias estão as letras meio idiotas. O refrão de Rent A Wreck não passa de uma repetição de "babababababababa". Em Trees and Squirrels pode-se ouvir "That silly night I did the Macarena with somenone named Karina... Woke up with sore lips and a belly full of cappucino!". Um disco inteligente e inocente, para pessoas bem dispostas ou em vias de boa disposição.


Video: Rent a Wreck

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BD DE CULTO 20: BATTLE POPE

terça-feira, fevereiro 13, 2007
(Eu sei que vou para o Inferno por isto. No dia em que a minha alma for pesada, tenho a certeza que o São Pedro vai dizer "Hum... Tu escreveste isto assim assim... Desculpa lá, pá, não temos vagas aqui no nosso clubinho!". Mas isto é bom demais para não partilhar. Paciência, logo penso nisso quando o mafarrico me estiver a fritar no seu wok...)



Battle Pope narra a vida de um possível Santo Padre, treinado desde tenra idade pelo Papa anterior e pelo próprio Bruce Lee para se tornar no líder da igreja católica. No entanto, Battle Pope perde-se nos prazeres da carne e nos vícios da bebida, vivendo uma existência amoral, bem longe dos ideais que supostamente deveria defender. Inevitavelmente, o dia do juízo final chega à terra, e de entre um punhado de escolhidos para entrar no reino dos Céus, Battle Pope encontra-se na lista dos 668848300 condenados (número aproximado) a uma eternidade de dor e sofrimento. A raça humana entra numa sangrenta batalha contra os demónios de Belzebú pelo domínio da terra. Eventualmente, um tratado de paz é assinado entre os senhores do mundo e o Mafarrico, encerrando-se os portões do Inferno. Porém, um punhado de demónios procura ainda causar o caos no nosso planeta. Nosso Senhor não tem outra opção senão recorrer ao seu filho Jesus H. Christ e a Battle Pope para manter a paz na terra, dando-lhes a missão de resgatar o guardião do planeta azul, Saint Michael, entretanto raptado pelas forças do mal.



Uma Banda Desenhada que não se quer levar a sério, Battle Pope pega na fé de milhões e atira-a ao chão violentamente, espezinhando-a e varrendo-a de seguida para debaixo do tapete. E fá-lo com uma grande pinta. Um Papa que fuma charuto, pragueja como uma carroceiro e ainda tem uma fivela no cinto com a inscrição Pope para que não haja dúvidas quanto à sua identidade é de uma heresia muito cool. Todos os chavões associados ao Catolicismo estão nesta série, devidamente destorcidos. A título de exemplo, no número 3, Jesus é crucificado pelos demónios. Quando Battle Pope lhe pergunta se está em agonia, Jesus responde "Não é tão mau como parece, chavalo, é como tomar um duche quente, dói como o caraças ao princípio, mas depois um gajo habitua-se...".

Para os interessados, Battle Pope é editado pela Funk-O-Tron, e pode ser encomendado nas lojas da especialidade, podendo eventualmente ser encontrado à venda no nosso país com muita, muita sorte. O primeiro número encontra-se disponível online (a cores, pela primeira vez) e é completamente grátis! Clicai aqui, hereges sacripantas!

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LITERATURA DE CULTO 20: PRODUÇÕES FICTÍCIAS - 13 ANOS DE INSUCESSOS

segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Tiros Certeiros:

- Entrevistas Históricas, Boião de Cultura e Herman Zap, para o Parabéns (RTP1, 1992 a 1995);

- Contra Informação (RTP 1, 1996 a esta data);

- Herman Enciclopédia (RTP 1, 1996 e 1997);

- HermanDifusão Portuguesa (Antena 1 e Antena 3, 1998, ainda as tenho em cassete BASF gravadas à pressa antes de ir para a escola);

- Major Alvega (RTP 1, 1998);

- Conversa da Treta (Antena 1, 1998 e SIC, 1999);

- Paraíso Filmes (RTP 1, 2001, queremos a série completa em DVD );

- O Programa da Maria (SIC, 2002);

- Gato Fedorento (Em Blog, livro, 4 edições em DVD e roupa interior masculina perfumada, SIC Radical e RTP 1, 2003 a esta data);

- Inimigo Público (Suplemento do Público, 2003 a esta data).

Todos estes produtos foram gerados na casa que continua a marcar o ritmo do humor no audiovisual Português: As Produções Fictícias.




O livro Produções Fictícias - 13 Anos de Insucessos procura traçar o percurso desta produtora, desde a sua pré-história na sala número 27 da Travessa da Fábrica dos Pentes até aos projectos para 2006 (altura em que o livro foi editado). Num misto de historial com antologia e album de família, neste livro temos acesso livre às almas criadoras que ajudaram a provocar as mais sonoras e memoráveis gargalhadas na última década e meia, os seus amores e desamores (relatos de violência física pelo meio) entre eles próprios, as private jokes e as alarvidades que caíram na boca do povo, os processos de escrita o meio do caos, ilustrando que Roma e Pavia não se fizeram num dia, com quase tantos tiros certeiros como tiros ao lado, sem ignorar os dolorosos e necessários tiros no pé.

Pistas para desvendar o grande mistério sobre o verdadeiro autor d'O Meu Pipi, a inclusão da versão original não-censurada da infame "A Última Ceia" (será que ninguém mete isso no Youtube?), os flyers e notas de imprensa da Paraíso Filmes, a génese do Gato Fedorento e dos Cebola Mol, relatada com um tom quase nostálgico mas longe da lamechice, e uma grande imensidão de humor de primeira apanha, tudo condensado num potente e volumoso canhenho que se lê em duas viagens de autocarro Faro-Lisboa, Lisboa-Faro.

Destaque para o seguinte trecho, sobre um certo senhor que neste momento está a ser (injustamente, a meu ver) crucificado na sua própria casa por muita gente com ideias pré-concebidas sobre um certo programa com muito potencial para crescer (aposto que para o mês que vem anda meio Portugal a papaguear "Beijinho booom"... Lembram-se da tareia que o Herman Enciclopédia levou aquando a sua estreia? Pois, eu também já me tinha esquecido), trecho esse que, embora possa parecer apatetado tirado assim do contexto, revela que este senhor é um ser humano e não um macaquinho que existe para entreter :

"Enquanto Pina, o do humor corrosivo e espontâneo, lançava as mãos à cabeça, perguntando «Mas como é que este gajo [vulgo: Miguel Viterbo, o do humor imperceptível] até sabe de pintura de barcos?!», Markl, o novato assustado, fugia com frequência para perto de um microondas, pondo o prato rotativo a funcionar com um bule de chá dentro por lhe proporcionar uma sensação de calma capaz de superar os berros de Nuno e Viterbo, disputando decibéis em discussões sobre sintaxe e semântica ou sobre férias no campo ou na praia.

Parece que, certa noite, desesperado por um raio de sol, Nuno Artur desabafou: «Quem me dera ir para a praia! Estou farto!» Segundos depois já Viterbo, cuja mundividência se caracteriza por ser diferente da do mais comum dos mortais, se lançara furiosamente no combate desta declaração: «Isso de ir para a praia é uma ideia absolutamente deprimente! Férias na praia! Que deprimente!» E continuaram por aí fora: «Mas deprimente porquê?», perguntava Nuno; «É um conceito estúpido, esse do calor e da praia», ripostava Miguel; «Mas porquê?», insistia Nuno. Markl evadiu-se para o seu improvisado estúdio zen no momento em que o tema em apreço resvalou para «o lazer nas sociedades contemporâneas». Em frente ao microondas, já nem queria saber dos cinco textos que tinham que entregar a Herman José às dez horas dessa mesma manhã..."

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Diz-se por aí que me ando a baldar para este blog...

...e é absolutamente verdade! Não tenho tido tempo/paciência/vontade de escrever aqui nos últimos meses, e como resultado o volume de trabalho acumula-se como nunca aconteceu por estas paragens. Envergonha-me o definhamento do meu espaço justamente na altura em que é publicada uma entrevista que dei sobre ele...

Assim sendo, como pessoa desorganizada, pouco metódica, relaxada e perguiçosa que sou, aposto a vida do meu blog em como irei publicar os 10 posts que estão em falta até ao final do mês!

Or else...

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