meta name="robots" content="noindex" /> Contraculturalmente



FILME DE CULTO 4: DELÍRIO EM LAS VEGAS

quarta-feira, setembro 21, 2005
O filme que vos trago hoje está ligado directamente com o post de literatura de culto deste mês. Trata-se da adaptação cinematográfica do clássico livro de Hunter S. Thompson, Fear and Loathing in Las Vegas (em Português, Delírio em Las Vegas).



Delírio em Las Vegas conta com Terry Gilliam (o Americano dos Monty Python) na realização, e tem como actores principais Johnny Depp no papel de Raoul Duke (baseado no próprio Thompson) e Benicio Del Toro, interpretando o advogado Samoano Dr. Gonzo. Estamos em 1971, quando Duke e Gonzo viajam até Las Vegas, com o intuito de fazer a cobertura jornalistica a uma corrida de motas pelo meio do deserto. Se bem que isso acaba por ser secundário quando se possui uma mala cheia de erva, cocaína, alcoól, éter, mescalina, ácidos vários e muitas outras drogas no banco de trás do carro. Tem-se uma percepção do que será este filme logo nos primeiros minutos, quando Duke pega num mata-moscas e resolve matar uns morcegos gigantes que de repente se lembram de o atacar (ou pelo menos é para aí que a sua imaginação o leva).

Este filme é uma ode às drogas. Durante toda a película, nunca há um momento de sobriedade. Ou Duke está pedrado e Gonzo sóbrio, ou Duke está sóbrio e Gonzo pedrado, ou Duke está pedrado e Gonzo está pedradíssimo! Acompanhamos então as alucinações e bad trips desta dupla pela cidade dos Néons e casinos, sem saber muito bem onde nos leva o enredo. Apesar de parecer alegre, frenético e de possuir luminosos momentos de humor a espaços (como por exemplo, quando as personagens principais se vêm envolvidas numa palestra anti-drogas para polícias), Delírio em Las Vegas é um filme feio e sujo. É assustador quando um Dr. Gonzo completamente alucinado convençe uma menina de 14 anos a partilhar a sua cama oferecendo-lhe um sortido de drogas. E a sensação de vergonha alheia na cena em que Hunter (perdão, Duke) acorda num quarto completamente destruido, enquanto somos bombardeados por Flashbacks auditivos de fazer corar um morto, é indescritível...

Para quem já viu este objecto de culto, fica a dica de que Benicio Del Toro engordou mesmo 14 quilos para interpretar o arrepiante Dr. Gonzo e sim, Thompson era mesmo assim como Depp e Gilliam o recriam. Tanto pessoalmente como na sua escrita. Os seus livros são autênticas dores de cabeça. Quem vir Delírio em Las Vegas até ao fim e não ficar com a sensação de exaustão cerebral, é porque não esteve muito atento ao que se estava a passar na televisão.

Disponível no seu videoclube.



Trailer:

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LITERATURA DE CULTO 4: DIÁRIO A RUM

quinta-feira, setembro 01, 2005
Hunter S. Thompson foi um jornalista completamente alucinado dos anos 60, apaixonado por motas, mulheres e drogas, muitas e variadas drogas...



Nascido em 1937, Thompson dedicou a sua vida ao jornalismo de investigação, passando por revistas tão importantes como a Rolling Stone Magazine e a Playboy. Absolutamente louco, decidiu a certa altura juntar-se ao lendário grupo de motoqueiros Hell’s Angels. Vagueou com este grupo durante meses, até os motoqueiros se fartarem da sua companhia e lhe terem oferecido uma valente surra. Após este incidente, nasce Hells Angels: The Strange And Terrible Saga of the Outlaw Motorcycle Gang, a sua primeira grande obra. Hunter acreditava que a sua experiência pessoal ajudava a sua escrita. Daí que todos os seus livros contenham inumeros pormenores auto-biográficos, e daí também a inclusão de pitorescas personagens baseadas em amigos, como o famoso Dr. Gonzo, baseado no advogado Oscar Zeta Acosta, defensor dos direitos Chicanos.



Hunter S. Thompson suicidou-se em Fevereiro deste ano, enquanto falava ao telefone com a sua esposa.

As suas obras podem ser consideradas peças jornalísticas alucinogénicas. Destaco o Diário a Rum, por querer guardar a sua obra-prima para o próximo filme de culto...

O Diário a Rum é então a experiência de um jovem jornalista Americano em Puerto Rico, no final dos anos 50. Thompson relata com precisão um paraíso Sul-Americano antes de se tornar naquilo que é hoje. Antes do Flower Power, antes da guerra do Vietname, antes das marchas de protesto e inclusivé antes do boom das drogas. Só lagostas, mulheres nuas, galinhas, voodoo, ódio (ancestral?) contra os Americanos, e Rum, Rum, Rum! Um livro honesto e bem escrito, contendo a curiosidade de ser esta a primeira obra de Thompson, apesar de só ter sido editada oficialmente em 1999!



Consta que esta obra será adaptada ao cinema por volta de meados de 2006. Entretanto, o Diário a Rum encontra-se à venda na Bertrand

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