meta name="robots" content="noindex" /> Contraculturalmente



MÚSICA DE CULTO 24: THE POLYPHONIC SPREE

segunda-feira, maio 28, 2007
Mais do que uma banda, os The Polyphonic Spree são antes um cruzamento entre uma comunidade Hippie, um culto religioso e um grupo coral que ficou aprisionado dentro de um Peyote gigante nos anos 70, conseguindo sair para o mundo real apenas para ver nascer o novo Milénio.



Os Polyphonic Spree nasceram da mente de Tim DeLaughter, vocalista, ensaiador e única face visível e identificável do colectivo. DeLaughter havia feito parte dos Tripping Daisy até 1999, altura em que a banda implodiu com o falecimento do seu guitarrista. Em 2000, os membros sobreviventes dos Tripping Daisy foram convidados para abrir um concerto de Granddaddy. Em vez de reabrir feridas antigas, Tim DeLaughter e os seus comparsas dedicaram-se a criar uma nova banda que misturasse Rock Sinfónico com coros. À volta deste conceito juntaram-se 13 músicos, baptizados The Polyphonic Spree. Actualmente, o número de músicos ronda os 20-25, mudando constantemente face a disponibilidade das pessoas envolvidas.

A banda em si consiste num grupo coral com mais de uma dezena de elementos, complementado com guitarra, órgão, bateria, baixo, violino, trompete, theremin, harpa, teclados, trombone, ferrinhos, caixinha chinesa, reco-reco e todo e qualquer instrumento possível e imaginário. Com esta variedade de instrumentos, é de esperar que o seu som seja cheio e pormenorizado, pleno em harmonia, nunca deixando que o ouvinte se deixe levar por sentimentos mais negros, antes pegando-lhe pelos pulsos e soltando-os pelo ar. The Polyphonic Spree são uma celebração de alegria e bondade entre os homens, claramente radiosos numa época em que esses valores caíram em desuso. Lembram-se dos Up With People, nos programas do Júlio Isidro dos anos 80? The Polyphonic Spree faz lembrar a energia desse colectivo, mas com muito melhor gosto musical.

Além da banda sonora para Thumbsuckers (que teria sido composta por Elliott Smith, se o mesmo ainda fosse vivo), os Spree possuem 2 albuns de originais, com mais um na calha. Enquanto não é editado The Fragile Army (previsto para 19 de Junho), podem ir-se ambientando com os dois discos da banda, The Beggining Stages Of..., de 2002:



E Together We're Heavy, de 2004:



Ambos os discos são bastante coesos, ficando Together We're Heavy a ganhar por possuir uma produção mais cuidada e um som mais cheio. No entanto, em The Beggining Stages of... encontra-se aquela que é simplesmente a melhor música dos The Polyphonic Spree, o maior levantador de moral que tive de oportunidade de ouvir nos tempos mais recentes, uma pequena injecção de felicidade perigosamente extrema que na contracapa do cd se denomina como Section 9 (Light & Day/Reach for the Sun). A título de curiosidade, todas as músicas encontradas na discografia oficial dos Spree são baptizadas de Sections, como se cada secção formasse um todo, o que reforça ainda mais a ideia de coesão e continuidade. Por exemplo, o primeiro album termina com a Section 10 (A Long Day), enquanto o segundo arranca com a Section 11 (A Long Day Continues/We Sound Amazed).


Para os interessados em saber em que universo se move a música dos The Polyphonic Spree, o tempo investido em www.questfortherest.com é bem gasto. Este site consiste num jogo (estilo aventura gráfica) no qual Tim DeLaughter tem de encontrar a sua restante trupe. Este jogo (que se termina rapidamente, com muita pena minha) foi criado para promover Together We're Heavy, sendo que a banda sonora e o imaginário icónico está a cargo da banda.


Video: Light & Day


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MÚSICA DE CULTO 23: REGINA SPEKTOR

quinta-feira, abril 26, 2007
De origem Russa, emigrada para os Estados Unidos em pequena, judia praticante, pianista com educação clássica, punk na atitude, eis Regina Spektor.



Regina Spektor nasceu em Moscovo, em 1980, onde viveu até 1989, altura em que se deu a Perestroika. A partir desse momento, o clã Spektor deixou a pátria-mãe e viajou pela Austria e Itália até assentar no típico bairro Nova-Iorquino do Bronx. Aqui, Regina começou a desenvolver a sua técnica de piano, ao mesmo tempo que criava músicas e letras que raramente eram transpostas para papel e pauta.

A sua estreia discográfica dá-se em 2001 com 11:11, um disco autoproduzido distribuído praticamente apenas nos seus espectáculos. Seguiu-se Songs, em 2002, que conheceu o mesmo destino. Em 2004, o album Soviet Kitsch foi promovido numa tour conjunta com The Strokes, o que garantiu o aumento da base de seguidores desta menina, até que em 2006 o seu album Begin to Hope invadiu finalmente o mainstream, valendo-lhe o reconhecimento como artista e song-writter que tardava em chegar. Hoje em dia, Regina Spektor é um nome a ter em conta na chamada corrente musical anti-folk, com todo o mérito.

Destaco da sua discografia o album Soviet Kitsch, de 2004, unicamente por ser o meu preferido e aquele que me agarrou primeiro (não tirando com isto valor aos outros discos de Regina).



Soviet Kitsch, o terceiro registo discográfico de Regina Spektor, é um album honesto e simples. Tirando um ocasional arranjo de cordas numa ou noutra música, uma guitarra e bateria completamente fora de tempo na canção Your Honor e uma baqueta batendo violentamente numa cadeira em Poor Little Rich Boy, o que aqui encontramos é uma menina reguila com a sua voz, o seu piano e as suas histórias para contar.

As músicas deste album encerram pequenos contos, com muito non-sense, brincadeiras com sinónimos e referências literárias e bíblicas. Um exemplo dessa capacidade teatral encontra-se na faixa The Ghost of Corporate Future, que conta a história de um homem desprovido de valores que de repente ganha uma alma e se descalça em plena rua a cada oportunidade. Já em Chemo Limo, ouvimos o relato de alguém com um cancro terminal que gasta o dinheiro dos seus tratamentos num último passeio de limosina. As influências judia e Russa encontram-se meio camufladas nas suas composições, assumindo-se no entanto na soberba The Flowers, que evolui de uma peça de música quase considerada erudita para a festa de uma "Hava Naguila".

Soviet Kitsch é um album que, pese a sua simplicidade, poderá soar estranho e pouco apelativo ao ouvinte ocasional. A amplitude vocal de Regina, que pode ir do som mais agudo ao mais grave em milésimas de segundo, bem como os grunhidos, zumbidos e murmúrios tornam cada música deste disco única e imprevisível. Mas, uma vez que a sua música ganha um lugar dentro de nós, torna-se muito difícil abandoná-la. Fica, cresce, evolui e eleva-nos. Agora que finalmente foi editado na Europa, Soviet Kitsch é um album a descobrir com urgência.


Video: Us

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MÚSICA DE CULTO 22: ARCADE FIRE

sábado, março 17, 2007
É mesmo necessário explicar quem são os Arcade Fire?



Biografia resumidíssima: Arcade Fire é uma banda canadiana (do Quebec), de 7 elementos. Formados em 2003, a banda desde sempre apostou em criar a sua própria sonoridade, incluindo nas suas composições, além da costumeira guitarra/baixo/bateria, dois violinistas, acordeões, xilofones, percussões variadas e tudo o mais. Esta mistura granjeou-lhes o afecto do público e a rendição da indústria discográfica e dos seus pares. David Byrne e David Bowie são fãs assumidos da banda. Funeral, de 2004, foi considerado quase unanimamente como o melhor album daquele ano. Houve quem arriscasse considerá-lo o melhor album da década! O Hype entretanto começou a desaparecer, e heis que somos brindados este ano com o segundo disco de Arcade Fire, intitulado Neon Bible.




Neon Bible, impressões e sensações:


Faixa #1: Black Mirror - Ressaca de uma festa que dura para lá da sua vitalidade. Cansaço, demasiadas horas a beber e poucas a dormir. O corpo arrasta-se, mas ainda tem força para só mais uma música. Explosões de energia sacodem o corpo do transe. Bom início.


Faixa #2: Keep The Car Running - Uma das faixas mais poderosas de Neon Bible. O carro já está em andamento, não abranda, e somos obrigados a arriscar a vida para poder apanhar a boleia. É bom estar vivo!


Faixa #3: Neon Bible - Uma paragem calma para recuperar o fôlego. Curta, e no entanto significativa. Continuamos a viagem ou ficamos aqui à porta do adro?


Faixa #4: Intervention - Órgãos de igreja envolvem-nos, e a música aumenta, num crescendo demoníaco. Vontade de gritar, chorar e rir, tudo ao mesmo tempo. Montanha russa de sentimentos. Experiência religiosa. É isto Arcade Fire! Quem não se deixar levar pela força de Intervention não tem coração.


Faixa #5: Black Wave/Bad Vibrations - A música 2-em-1. Primeira parte, alegria podre. Jean-Michel Jarre actualizado, com mais memória RAM e um disco de 500 gigabytes. Depois, plim plam pum, segunda parte, um baixo anuncia trovoada, e uma nuvem negra invade o leitor de cds. Escura como a peste, arrasta-nos para a faixa seguinte...


Faixa #6: Ocean of Noise - A canção de Neon Bible. O amor no meio do mar. O fim é o início e o início é o fim. Lei da vida. Dançar agarradinho. Mentiras e violência embaladas ao sabor das ondas. A melhor razão pela qual se deve ouvir as músicas de Arcade Fire até ao fim. This time we'll work it out. Bonita.


Faixa #7: The Well And The Lighthouse - Maratona vertical. Sair do fundo do poço só com a força dos punhos. Claustrofobia, necessidade de oxigénio. A luz na boca do poço oscila. Está quase... Ar! Cá fora, os vaga-lumes dançam a valsa dos amores na noite mais escura de sempre. É bom estar vivo, parte 2.


Faixa #8: Antichrist Television Blues - Martelar contra a parede. Ritmo intenso. Troca de braço, que este já dorido. Recomeça. Mais forte, que o prédio tem de ficar pronto amanhã. Aumenta o ritmo. Prende os braços atrás das costas e bate com a cabeça. Grita de dor. Continua. Tem de ser. Don't wanna work in a building downtown. Mas não há outra hipótese. Nervos à flor da pele. Excelente.


Faixa #9: Windowsill - Olhar para fora é sempre mais fácil do que olhar para dentro.


Faixa #10: No Cars Go - Bem reciclada do EP de estreia. Mais forte, mais rápida, mais cuidada e trabalhada. Agora, com a ajuda de coros militares! A cortina de ferro já caíu, mas de ferrugem nem sinal.


Faixa #11: My Body is a Cage - Intensidade. Mais órgãos de igreja, desta feita apontando alto para a transcendência. Set my spirit free...


Veredicto: Neon Bible não é melhor do que o seu antecessor. Mas também não é pior. É simplesmente diferente, e poderá não agradar a todos os que veneraram Arcade Fire anteriormente. Mas agradará a muitos outros que nunca lhes prestaram grande atenção. Neon Bible não desilude quem não se deixa iludir com mais do mesmo, elevando à estratosfera as expectativas para o terceiro album. Estará no final do ano entre os melhores de 2007. Desde 5 de Março que poderia estar nos vossos lares. Deixem-se de downloads ilegais (a tentação é grande, e eu também não fui capaz de resistir) e dirijam-se ao vosso botequim discográfico favorito. Eu assim o farei quando puder...


Video: Neon Bible

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MÚSICA DE CULTO 21: COLD WAR KIDS

domingo, fevereiro 25, 2007
Um repositor de supermercado poderia tentar encaixar esta banda nos separadores Pop, Rock, Blues, até mesmo Gospel. Porém, não existe no panorama musical da actualidade nada que se assemelhe aos Cold War Kids, musical e artisticamente. Abençoado separador Indie!



Os Norte-Americanos Cold War Kids praticam, com o seu baixo pesado, piano desafinado, guitarra fora de tempo, muita bateria e percussão e uma voz que faz a espaços recordar Jeff Buckley, um tipo de música estranhamente viciante e orelhuda, quente e desconfortável ao mesmo tempo. A sua sonoridade é uma montanha russa musical e emocional, que nos eleva calmamente para depois nos descarregar sem travões pela encosta abaixo, atirando-nos enérgica e violentamente para a lama para nos lavar com um jacto de pressão logo de seguida.

Disco de estreia, Robbers & Cowards, de 2006.


Robbers and Cowards é um disco e ambiente denso e negro, sendo ao mesmo tempo de uma simplicidade crua que se vai complicando após repetidas audições. Como o título indica, o roubo e a cobardia são temas recorrentes nas letras de cada tema. A primeira faixa, We Used to Vacation, narra a história de um homem perdido na bebida, colocando a sua família em segundo plano. Passing the Hat fala de alguém que rouba esmolas à porta da Igreja. Saint John (a minha preferida) é sobre um assassino no corredor da morte, à espera de um perdão, apesar de ter feito justiça ao interromper a vida do violador da sua irmã. E a frase em Robbers, "robbing from the blind is not easy", diz tudo sobre a mesma.

Estranhamente (ou talvez não) o sentimento que passa de Robbers and Cowards, é o de uma banda de jovens honestos e criativos gerando música ao mesmo tempo que se divertem a tocar uns para os outros. É quase como ter o privilégio de poder entrar na sala de ensaios dos Cold War Kids e ouvi-los a brincar com sons e palavras como o fazem na sua estreia. Para ouvidos bem abertos.

Noutros assuntos, um EP ao vivo de seu nome Acoustic at the District poderá ser encontrado aqui. Não é tão bom quanto o album, e na verdade só comecei a gostar realmente dele depois de dissecar Robbers and Cowards. Um pitéu para quem já conhece Cold War Kids, dispensável para todos os outros.

Video: Hang Me Up To Dry

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MÚSICA DE CULTO 20: SUBURBAN KIDS WITH BIBLICAL NAMES

quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Existe um brinquedo novo para todos os melómanos que dá pelo nome de Last.fm. Este programa/site analisa toda a música ouvida nos nossos computadores pessoais, criando listas das nossas preferências musicais, e apresentando tanto pessoas com gostos similares como sugestões baseadas naquilo que ouvimos. Obviamente que o programa não se limita a estas opções, existindo ainda a oportunidade de ouvir "rádios" baseadas em tags que vão sendo atribuídas às musicas pelos utilizadores, e um milhar de outras pequenas opções que só fazem sentido para quem usufrui desta maravilha dos tempos modernos. Resumindo, um last.fm bem utilizado pode dar a conhecer praticamente tudo o que se faz musicalmente pelo mundo fora, com tudo o que de bom e de mau possa resultar da experiência. As possibilidades são infinitas.

Entre as descobertas que me foram apresentadas, a que me assentou melhor até à data foi uma pequena banda independente chamada Suburban Kids With Biblical Names.




Os Suburban Kids With Biblical Names são dois jovens Suecos, praticantes de uma Pop simples e bem-humorada, criada nos corredores e armazéns da casa de seus pais, e depois transposta para computador onde são adicionados uma série de efeitos que lhes dão vida. As suas músicas encontram-se repletas de referências a outros bons artistas (Pavement, The Smiths, Silver Jews, aos quais foram buscar o nome para a banda), e ainda que este projecto não se deixe levar muito a sério, os Suburban Kids With Biblical Names editaram já dois EPs e um album, intitulado #3.



#3, o curioso disco de estreia dos Suecos, é simples, directo e estranhamente viciante. Às melodias acústicas são coladas batidas electrónicas, palmas, uivos, xilofones e tudo o que se soltar da imaginação da dupla. Deste caldeirão saem belas cantigas de fazer bater o pé no soalho. Grande parte das canções saltitam entre o alegre e o eufórico, apesar das vocalizações serem graves, por vezes soturnas. Exemplo perfeito encontra-se no tema Funeral Face, uma canção Kuduro-Callypso-Mariachi-Eurodance cheia de energia sobre um stalker que não sabe sorrir.

Aliadas às melodias estão as letras meio idiotas. O refrão de Rent A Wreck não passa de uma repetição de "babababababababa". Em Trees and Squirrels pode-se ouvir "That silly night I did the Macarena with somenone named Karina... Woke up with sore lips and a belly full of cappucino!". Um disco inteligente e inocente, para pessoas bem dispostas ou em vias de boa disposição.


Video: Rent a Wreck

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MÚSICA DE CULTO 19: THE DECEMBERISTS

quinta-feira, dezembro 28, 2006
The Decemberists são uma banda Norte-Americana que me chamou à atenção por terem feito uma belíssima cover da Clementine de Elliott Smith, incluída na compilação To: Elliott From: Portland, o que por si só é justificação de bom gosto.




O nome desta banda deriva da revolta militar falhada de 1825, que procurava depor o Csar Nicolau I do poder na Rússia. Inspirado nesta revolta e também no frio e intimismo geralmente associados ao mês de Dezembro, o som da banda alterna entre o épico e heróico (Rock Progressivo) e o calmo e reservado (Indie Pop). Os Decemberists possuem a honra de serem a primeira banda a distribuir oficialmente um dos seus videos (16 Military Wives) através dos BitTorrents.

O album em destaque dá pelo nome de The Crane Wife e foi editado em 2006.




The Crane Wife é baseado num antigo conto japonês. Nesse conto, um homem pobre encontra um grou magoado e cuida dele. Após soltá-lo, uma belíssima mulher surge na sua vida. Depois de casarem, a mulher propõe tecer roupa de seda para vender no mercado, ajudando assim o seu marido a fugir à pobreza, com a condição do seu esposo nunca a ver na sua tecelagem. À medida que as condições de vida vão melhorando e as roupas se vão vendendo, o marido obriga a esposa a tecer mais e mais seda, ignorando o estado de saúde cada vez mais deteriorado da senhora. Um dia, a curiosidade leva a melhor sobre o homem, que decide espreitar a sua esposa no seu ofício, apenas para descobrir um grou arrancando penas do seu próprio corpo para tecer as roupas. O grou abandona assim o homem, remetendo-o à pobreza pela sua ganância.

O som de The Crane Wife é rico e polido. Há muito orgão e acordeão, levando o ouvinte a sonhar em pegar numa lança e cavalgar pelas planícies alentejanas à procura de moinhos de vento para combater. Existem neste album verdadeiras óperas épicas, com duração superior a 10 minutos (The Island e The Crane Wife 1 & 2). Para os mais habituados a músicas mais curtas e regulares, neste disco também se encontram pérolas como Yankee Bayonet (dueto com Laura Veirs), O Valencia! e a luminosa Sons & Daughters.

Destaque maior para Shankill Butchers, o arrepiante conto de terror disfarçado de canção de embalar, baseado no gang de assassinos protestantes com o mesmo nome, que perseguiam, torturavam e matavam católicos na Irlanda nos anos 70 e 80 com recurso principalmente a cutelos e facas de talho.

A beleza principal de The Crane Wife assenta nas histórias que contém, com um fio condutor que insere um sentimento no peito, mesmo sem se prestar atenção às letras das canções. Cada música contém uma ou mais histórias, muito bem escritas e acompanhadas com música apropriada. Um disco forte e coeso, dos melhores que ouvi ultimamente.

Video: O Valencia

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MÚSICA DE CULTO 18: GOGOL BORDELLO

terça-feira, novembro 14, 2006
De pé, oh vítimas da Pop! De pé, famélicos da música! Está para estalar mais uma revolução! Chegam ao Contraculturalmente os Gogol Bordello!




Gogol Bordello é uma banda Punk de New York, que se distingue das demais pelo ecletismo dos seus instrumentistas e pela extravagância do seu front-man, o inenarrável Eugene Hütz. Por aqui pontuam um baterista, um baixista e uma bailarina Norte-Americanos, um acordeonista e um violinista Russos, uma outra bailarina Tailandesa, um guitarrista Israelita e um vocalista Ucraniano, compondo um caldeirão musical que junta a fúria do Punk versão The Clash e da música cigana Balcânica ao dub Jamaicano, passando pelos ritmos latinos. Longe de serem indigestos, os Gogol Bordello são antes uma força da natureza tanto em estúdio como ao vivo, muito por culpa do violinista, das bailarinas/performers e do Che Guevara de Chernobyl, Sr. Hütz, o que se pode comprovar numa breve saltada ao Youtube.

Album mais recente, recomendação óbvia, Gypsy Punks Underdog World Strike, de 2005.




Gypsy Punks Underdog World Strike é um album insano, pleno de humor e boa disposição, visível em títulos como Think Locally, Fuck Globally e Start Wearing Purple. O vocalista, no seu carregado sotaque de Leste, diverte-se apelidando todas as mulheres de "Sally" nas letras de Gogol Bordello, num misto de Ucraniano, Árabe, Espanhol e Inglês. Por detrás de toda a festa e alegria, existe também em Gypsy Punks Underdog World Strike um lado de consciência política que poderá escapar numa primeira audição. A música Immigrant Punk destaca-se pela critica ao tratamento recebido pelos emigrantes nos Estados Unidos (e no mundo, já agora). Um pouco à maneira de Manu Chao, mas, e eu como fã de Manu Chao e Mano Negra nunca pensei em dizer isto, ainda mais festivo e forte, um grande circo misturado com casamento cigano, festarola de aldeia e Punk cosmopolita. Uma ode à vida! Legalize Gogol Bordello!

Video: Start Wearing Purple

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MÚSICA DE CULTO 17: DAMIEN JURADO

quarta-feira, outubro 25, 2006
A beleza de se ter um blog é que podemos planear o que queremos fazer dele, quando queremos. Escolhemos um tema, arrumamos as ideias na cabeça, definimos o que queremos escrever, e quando finalmente temos algum tempo para meter mãos à obra, acabamos por não fazer nada daquilo que pensámos fazer. De que vale estar um mês a planear um post quando, no dia que definimos para o redigir, acordamos com vontade de escrever algo completamente diferente?

Tudo isto para dizer que hoje era para estar aqui um post relacionado com outra banda. Acontece que acordei com a música de Damien Jurado na cabeça, de modo que não vejo outro remédio senão libertá-la aqui...



Damien Jurado é um contador de histórias mascarado de singer-songwriter. Originário da chuvosa Seattle, Jurado imprime às suas criações o cinzentismo próprio do ambiente em que vive, com alguns (poucos) rasgos de luminosidade aqui e ali, predominando a guitarra acústica tocada com cuidado e primor. A sua peculiar voz e estilo musical valem-lhe a comparação ao grande Nick Drake, cuja influência Damien não nega, ao colocar recentemente na internet uma soberba versão do clássico de Drake, Pink Moon.

Damien Jurado possui de momento 8 albuns no seu curriculum, sendo o mais recente And Now That I'm In Your Shadow, editado este mês. Destaco da sua discografia duas obras, por razões distintas:



Rehearsals For Departure, de 1999, é um album sobre relações humanas. Sobre as pessoas com quem vivemos, com quem crescemos, com quem nos cruzamos na rua, com quem criámos laços de amizade e amor. E sobre a fragilidade desses laços, de como tendem a partir-se. Um album acústico, simples, um tanto ou quanto amador, mas muito bonito, especialmente a nível lírico. O disco perfeito para reler cartas de amor antigas e rever fotografias de outros tempos em que tudo o que fazia sentido na altura deixou entretanto de o fazer. Destaque natural para Ohio, a primeira faixa, sobre uma jovem adulta que havia sido raptada pelo pai em pequena e deseja regressar para casa da sua mãe, no longínquo estado de Ohio.

Aprecio Rehearsals For Departure pela carga emocional que carrega na minha vida. Este foi o primeiro disco de Damien Jurado que me foi dado a ouvir, emprestado por uma pessoa com quem partilhei uma forte amizade mas que neste momento já não se encontra no meu restrito círculo de amigos. Lá está, laços partidos...

Por ser extremamente difícil de adquirir (só agora finalmente o encontrei, após anos de busca, graças à maravilhosa Alquimia), recomendo também o seu album de 2005:



On My way To Absence aponta para uma mudança no rumo musical para Damien Jurado, sem no entanto comprometer as suas raízes folk. Por aqui ouvem-se mais guitarras eléctricas e até laivos de electrónica, e liricamente, o desespero vai dando lugar à esperança. Um disco muito relaxante, melancólico sem ser depressivo, tido como o seu melhor até à data. Destaque para Fuel (gosto de músicas simples em viola de caixa), e a agridoce Simple Hello.

Damien Jurado é um artista que no vai ofertando pequenos tesouros quase envergonhados, quando a consistente qualidade do seu trabalho teima em não ser reconhecida. Creio no entanto que se Damien Jurado procura algo na vida, não será com toda a certeza reconhecimento.

Video: Ohio

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MÚSICA DE CULTO 16: INTERPOL

sexta-feira, setembro 22, 2006
Numa recente viagem ao Porto, depois de muitas horas de copos e convívio, um amigo meu disse-me o seguinte:

"Ah, e tal, eu gosto bastante do teu blog. Volta e meia visito-o e gosto especialmente das escolhas musicais. Só acho que devias incluir Interpol. Quem visita o teu espaço até pode pensar que tu não gostas de Interpol. Tu gostas de Interpol, não gostas? Tens de meter lá Interpol, senão aquilo não fica completo."

Portanto, como realmente gosto de Interpol e não quero que falte nada aos meus amigos, Ricardo Granja, este post é para ti.




Os Interpol são uma banda rock de Nova-Iorque. Praticantes de um estilo de som que poderia ser catalogado simplesmente de Interpol, este agrupamento musical nascido em 1998 combina música algo introspectiva juntamente com momentos altamente dançantes, tudo na mesma faixa musical. Os Interpol foram tão capazes em criar o seu próprio estilo de som dentro do nicho Indie-Rock que entretanto já nasceram e passaram de validade diversas cópias genéricas desta banda, como de costume quando algo de novo surge no panorama musical.

Entre os dois longa-durações desta banda (vem mais um a caminho), destaco o mais popular e reconhecido Antics.




Editado em 2004, Antics é um sólido e despretensioso album Rock. Mais animado que o antecessor, Turn On The Bright Lights (que ainda assim inclui a minha canção preferida deste grupo, I Love NYC), este disco possui uma aura magnética que atrai o ouvinte, e as letras e a voz encontram-se impregnadas de uma escuridão sarcástica que contrastam com a luminosidade do acompanhamento sonoro. Os riffs de guitarra, embora simples, resultam na perfeição. O mesmo se aplica à bateria e baixo. Simplicidade, ordem e eficiência. Como diria Ricardo Granja, "o verdadeiro Rock"!

Destaques: O single óbvio Evil, a guitarra de Public Pervert e tudo e mais alguma coisa em Cmere e Slow Hands. Não conhecem Interpol? Grave, amigos, muito grave.

Video: Evil

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MÚSICA DE CULTO 15: GOMEZ

sábado, agosto 26, 2006
Ao contrário do que o nome da banda poderia indicar, os Gomez são uma banda inglesa nascida precisamente há 10 anos atrás, em 1996, quando um grupo de amigos e conhecidos da escola resolveu juntar-se para dar uns concertos. Reza a lenda que, depois de algumas semanas de ensaio, a banda considerava-se pronta para actuar, apesar de nem sequer possuir um nome denominador. No dia do primeiro concerto, afixaram um cartaz destinado a um amigo onde se lia "Gomez, o concerto é aqui". O público assumiu que era esse o nome da banda e no final do concerto já não havia nada a fazer, os Gomez estavam baptizados.



Os Gomez são então uma banda de Rock, musculado e inventivo a espaços, e no entanto doce e cândido, envolto numa leveza Pop que não carameliza nem enjoa.

A banda possui no seu curriculum 5 albuns de originais, um ao vivo e uma compilação de raridades. Bring It On, o seu album de estreia, venceu na categoria de melhor album de 1998 nos Mercury Prize Awards, à frente de um Mezzanine dos Massive Attack e de um Urban Hymns dos The Verve, facto que remeteu para o semi-obscurantismo a restante obra do conjunto.

O destaque de hoje vai para Split The Difference, de 2004.



O 4º album dos Gomez, Slipt The Difference é um disco de Rock and Roll, cheio de melodias cantaroláveis e harmonias vocais que constituem a imagem de marca da banda. Os estilos musicais encontrados aqui vão desde ao Rock in your Face, à Indie-Pop, à Folk, ao Blues, ao Experimentalismo, às baladas. Nada escapa aos Gomez em neste album, e não encontramos aqui nem uma música fraca. Uma colecção de canções que fazem todo o sentido tanto juntas em cd como soltas num leitor de MP3. Convenhamos que, não sendo um disco inovador, Split The Difference é conta com pormenores interessantíssimos a nível de arranjos e percussão, mesmo sendo esta uma banda com três guitarristas. Qualidade, amigos, qualidade.

Destaque para o single Catch Me Up (vejam o video), These 3 Sins, a optimista e ritmada cantiga Pop, e a Blues Beatleiana de Sweet Virigina, um dos pontos altos do album. Encontra-se com relativa facilidade.

Video: Catch Me Up

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MÚSICA DE CULTO 14: YEAH YEAH YEAHS

sexta-feira, julho 21, 2006
Aviso: Este meu texto poderá ser considerado tendencioso (como se todos os outros não o fossem), mas assumo-me aqui como fan-boy incondicional dos Yeah Yeah Yeahs e por isso peço perdão se isto descambar para a lamechice.




Os Yeah Yeah Yeahs são o trio Nova-Iorquino que agradam tanto a Punks como a Indies como a Rockeiros como a ouvintes ocasionais, tal é a variedade de sons apresentados nas suas composições. Formados em 2000, esta banda lançou dois estranhíssimos EPs até ao lançamento do álbum de estreia, Fever to Tell, de 2003. Aí, caiu a bomba. O Garage-Punk com mais de 2 acordes, o Noise bem guinchado, o Rock e a Pop cantados sem mácula, tudo feito com guitarra, bateria, voz e sintetizadores. Toda a postura distanciada e desinteressada da banda despertou a curiosidade de um mundo melómano ávido de novidades, e a postura "Fuck Me" da carismática vocalista Karen-O seduziu muito jovem com fetiche por White Trash.

Já este ano, os YYY editam o segundo disco, Show Your Bones.



Radicalmente diferente do seu antecessor (e igualmente bom) Show Your Bones é a bonança depois da tempestade rítmica do álbum de estreia. Neste disco, há um inédito destaque para a guitarra acústica, aliado a um também inédito sentido de disciplina e ordem ausente anteriormente. Há por aqui mais doçura, mais calma, mais harmonia. O que não impede Show Your Bones de ser um álbum Rock à séria, pleno de ambientes estranhos e lamacentos, como se a banda se estivesse a conter para não explodir numa orgia de distorção. Um perfeito exemplo na música Cheated Hearts, uma balada na qual estamos sempre à espera por uma explosão sonora que tarda em chegar. O primeiro single, Gold Lion, é uma música calma com o crescendo sonoro envolvente que emana Punk por todo o lado. Já em Honeybear, temos um momento musical altamente dançante que abranda a espaços como se os YYY medo de se espandirem demasiado.

Show Your Bones é um disco nervoso, porém confiante a nível lírico, mostrando uns Yeah Yeah Yeahs estão mais crescidos e vividos. Sejam eles um nome para ter em conta no futuro ou separem-se daqui a um mês, nem todas as bandas conseguem criar dois álbuns geniais logo no início da carreira. Palmas!

Dia 16 de Agosto, os Yeah Yeah Yeahs vão actuar no Festival Paredes de Coura. Aparecam por lá e abanem os vossos ossos enquanto podem, que o nível do Ozono anda alto e o sol da praia apodrece-os...

Video: Cheated Hearts

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MÚSICA DE CULTO 13: FLAMING LIPS

terça-feira, junho 20, 2006
The Flaming Lips é uma banda Norte-Americana formada em 1983, conhecida pela quantidade exagerada de adereços em palco, incluindo luzes de natal, fantoches, balões, confetti e figurantes bizarros.




Praticantes de um Indie-Rock com tiques de psicadelismo, reza a lenda de que os Flaming Lips nasceram quando o guitarrista Wayne Coyne roubou variados instrumentos musicais da igreja de Oklahoma. Em meados dos anos 90, os Lips conheceram o sucesso com o single "She Don't Use Jelly", parcialmente devido à utilização da mesma música na série Beverly Hills 90210. A fama é efémera, e no caso de comédias de adolescentes ainda mais, e a banda caiu num semi-obscurantismo durante a maior parte do tempo, até ao lançamento do aclamado The Soft Bulletin, em 1999. Hoje vistos como gurus do Indie, os Flaming Lips editaram já este ano At War With The Mystics.

Este mês trago-vos Yoshimi Battles The Pink Robots, de 2002.



Yoshimi Battles The Pink Robots é talvez o album mais acessível dos Lips. Um album conceitual na medida do possível, narra parcialmente a história de uma menina japonesa chamada Yoshimi (cinturão negro em Karaté), na luta contra os gigantescos robots cor-de-rosa que invadem a terra. O uso e abuso de sintetizadores transformam este album numa peça neo-retro (ou camp, se preferirem), onde o futurismo aqui apresentado é o mesmo sugerido nos anos 80. Melancólico e optimista ao mesmo tempo, Yoshimi é um belíssimo disco que cresce após várias audições. Pode parecer estranho a princípio, mas dêem-lhe tempo e ele acaba por entranhar-se.

Para os apreciadores da banda, existe uma edição especial deste album contendo um DVD com lados-b, versões alternativas, videos musicais e outros mimos. Para quem não conhece The Flaming Lips, passem pelo site oficial e oiçam todas as músicas de Yoshimi (e já agora, dos outros albuns) sem pagar um tostão!

E já agora, aqui fica o teaser em flash de Yoshimi Battles The Pink Robots, pt 1.

Video: Fight Test

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MÚSICA DE CULTO 12: CLAP YOUR HANDS SAY YEAH

sexta-feira, maio 19, 2006
CLAP YOUR HANDS!
But I feel so lonely
CLAP YOUR HANDS!
But it won't do nothing
CLAP YOUR HANDS!
But I have no money
CLAP YOUR HANDS!
But I don't feel like it
CLAP YOUR HANDS!
Are you up to something?
CLAP YOUR HANDS!
Where's my milk and honey?
CLAP YOUR HANDS!
But I just look funny
CLAP YOUR HANDS!
I'll just wait awhile




Os Norte-Americanos Clap Your Hands Say Yeah são mais um fenómeno nascido na Internet. Porém, este fenómeno em particular não foi criado por nenhum hype manobrado nos bastidores, mas sim por mérito próprio.

Formados em 2005, a banda actuava na sua Brooklyn natal para meia dúzia de pessoas, tendo gravado um disco homónimo em nesse mesmo ano. Dos 2000 discos publicados, os CYHSY haviam vendido 200. Desses 200 albuns, certas mentes iluminadas resolveram colocar algumas músicas em blogues de MP3. Com a crescente popularidade do motor de busca Elbo.ws, essas mesmas músicas aterraram nos computadores de milhões de pessoas de todo o mundo, incluindo no meu. E todos os fregueses do Elbo.ws levantaram a antena face à novidade. Uma banda recente, sem qualquer contrato discográfico assinado era ouvida em todo o mundo. Quem disse que o MP3 é obra do mafarrico?

O disco deste mês chama-se Clap Your Hands Say Yeah.



O disco destinado a nunca ser ouvido se a internet não se tivesse tornado naquilo que é hoje constitui um verdadeiro achado para todos os amantes de bom Rock independente. A voz fica situada entre um Thom Yorke e um Gordon Gano, o som é Indie-Rock alegre e descomprometido, uma colagem de sons e melodias já ouvidas algures no passado mas recicladas tão descaradamente que não deixa de garantir aos Clap Your Hands o estatuto de banda orgânica e verdadeira. A lista de influências é grande e palpável, mas os CYHSY aprenderam realmente com os melhores e a sua sonoridade não é em nada inferior à dos seus mestres.

Guitarra galopante, bateria empolgante, baixo hipnótico, tudo altamente dançável. A desafinação vocal encaixa-se perfeitamente num Indie bem feito e bem disposto. Clap Your Hands Say Yeah é simultaneamente um album e uma banda que quase nos bate à porta e nos diz "Olá, podemos entrar e ficar a viver no teu ouvido durante uns tempos?"

Está à venda nas boas lojas de discos. Recomenda-se sem reservas!

Video: Over And Over Again (Lost & Found)

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MÚSICA DE CULTO 11: FIONA APPLE

domingo, abril 23, 2006
Fiona Apple é uma cantora/pianista Norte-Americana com um culto considerável à sua volta. As suas composições estão incluidas no universo do Jazz, passando pela Pop e Blues, criando um produto de música alternativa verdadeiramente original.



O seu início de carreira deu-se em 1996 com Tidal. Apple, na altura com 18 anos, espantava o mundo com as suas músicas melodiosas e a forte componente sexual do videoclip para Criminal, o que lhe valeu o reconhecimento instantâneo da indústria discográfica sob a forma de Grammy, rotulando-a de Next Big Thing. Seguiu-se When The Pawn em 1999, fortemente atacado pela crítica especializada por ser completamente o oposto daquilo que seria esperado de Fiona.

Abandonada e prestes a cair no esquecimento, Fiona Apple passou por tempos difíceis para conseguir editar o seu mais recente Extraordinary Machine. Produzido em 2002, a Sony decidiu que este não possuia qualidade suficiente para ser editado e resolveu guardá-lo na prateleira, o que levou a uma desmoralização e final de carreira abrupto por parte da autora. Porém, hoje em dia temos uma coisinha chamada internet. Alguém conseguiu o album e colocou-o online, o que levou a que milhares de pessoas fizessem o download do mesmo, levando a Sony a pensar se a sua acção teria sido a mais acertada. Tudo culminou com os escritórios da empresa discográfica a serem inundados de maçãs vindas de todo o mundo por parte dos admiradores de Fiona. Extraordinary Machine acabou por ser refeito e editado no final do ano passado, e, surpresa (ou não), revelou-se um excelente disco e um grande regresso de Fiona Apple.

Mas este mês, sugiro When the Pawn Hits the Conflicts He Thinks Like a King What He Knows Throws the Blows When He Goes to the Fight And He'll Win the Whole Thing 'Fore He Enters the Ring There's No Body To Batter When Your Mind is Your Might So When You Go Solo, You Hold Your Own Hand And Remember That Depth is the Greatest of Heights And If You Know Where You Stand, Then You Know Where to Land And If You Fall It Won't Matter, Cuz You'll Know That You're Right.




When The Pawn é sem sombra de dúvida, o meu disco preferido de Fiona Apple. O difícil segundo album marca um corte radical entre a candura do seu album de estreia, levando e elevando o seu piano por territórios alternativos e inexplorados, numa Pop jazzística com algum Trip-Hop pelo meio e muita maturidade, o que destruiu a reputação e o "promissor" futuro como princesinha Pop de Fiona, fazendo com que muitos dos seus antigos fãs adeptos da sua faceta baladeira a abandonassem, ao mesmo tempo que fortaleceu a sua base de adeptos fiéis. Este é o album mais injustamente esquecido de que tenho conhecimento. Liricamente assombroso, musicalmente complexo, algo agressivo, muito, muito sexy! Para ouvir em repetição contínua! Destaques:

1- On The Bound
2- To Your Love
3- Limp
4- Love Ridden
5- Paper Bag
6- A Mistake
7- Fast As You Can
8- The Way Things Are
9- Get Gone
10 - I Know

Como curiosidade, When The Pawn possui o record do Guinness de Album com o Maior Título.

Video: Paper Bag

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MÚSICA DE CULTO 10: BRIGHT EYES

quarta-feira, março 15, 2006
Há tempos, foi aqui falado de uma loja de discos em Leiria chamada Alquimia, cujo proprietário era exímio na arte de impingir discos de qualidade aos seus clientes, acertando nos seus gostos e preferências. Sempre que lá entro dificilmente saio sem um disco nas mãos, que não poucas as vezes desconheço completamente. Foi o que aconteceu no caso de Bright Eyes.



Bright Eyes é o nome de uma banda que se mistura com o nome de Conor Oberst, o mentor e único músico a figurar em todos os albuns do projecto. Conor pratica uma Pop com tendências megalómanas, sempre prestes a sair do obscurantismo, mas falhando perpetuamente uma e outra vez, até ao salto definitivo que tarda em chegar. Um dos seus albuns chegou a número 10 na tabela de discos mais vendidos nos Estados Unidos, e ainda assim poucos ouviram falar de Bright Eyes e ainda menos pessoas desconfiam que existe um multi-instrumentista chamado Conor que edita o seu cancioneiro desde os 13 anos de idade. Com uma carreira bastante intensa (só o ano passado, Bright Eyes editou/editaram dois discos de originais e um ao vivo), este é um nome a ter em conta num futuro próximo, tal a qualidade e espírito meio mainstream, meio underground que carregam as músicas deste projecto.


O Album sugerido este mês tem o título de LIFTED or The Story is in the Soil, Keep Your Ear to the Ground.



Lifted assume-se como um album conceptual, em que as músicas só fazem sentido se ouvidas de seguida, de tal forma que a linha onde acaba uma e começa outra é muito ténue e por vezes imperceptível. O tema base é o rescaldo dos atentados de 11 de Setembro, mas a toada é melosa (e o facto de algo ser meloso não significa propriamente que seja mau) e aquilo que seria uma reacção de uma América ferida torna-se antes um grande disco sobre o amor e outros sentimentos menores. A voz de Conor é estranhíssima, afinada "alternativamente", e a grandiosidade dos arranjos mistura-se com momentos rock "in your face" e cantinhos intimistas.

Mas o grande valor de Lifted é mesmo o seu conteúdo lírico, escrito detalhadamente num booklet muito bem ilustrado e pensado ao pormenor. Além de um grande album, ainda se ganha um grande livro de poesia que facilmente sobreviveria sem a componente musical. Sem o booklet, admito, este album seria demasiado estranho até para mim e creio que o teria descartado. Mas a experiência de acompanhar as letras à medida que as músicas nos entram pelos ouvidos tornaram Lifted numa escolha recorrente sempre que vasculho os meus "Discos Compactos". Para ouvir de olhos bem abertos.

Video: Sunrise, Sunset

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FILME DE CULTO 9: O EXÉRCITO DAS TREVAS

segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Um clássico de culto. Uma ode à pancadaria com estilo. Um filme de Sam Raimi. Um ícone da série B em Bruce Campbell. Tudo isto é o Exército das Trevas.



O Exército das Trevas (Army of Darkness, no original) é a terceira e última parte da série Evil Dead, e pega na história precisamente onde tínhamos ficado no filme anterior. Ash, o herói principal, havia sido sugado para a Idade Média através dum portal criado pelo livro dos mortos, Necronomicon Ex Mortis.

Chegado à Idade Média, e apenas munido com a sua caçadeira, braço-motoserra e um carro que se revela pouco mais que inútil, Ash começa por ser escravizado pelos habitantes locais, que o olham primeiro com desconfiança, para depois o elevarem à categoria de salvador, acreditando na profecia de que um herói caído dos céus os salvaria dos mortos-vivos que assolam a região. Porém, depois de todos os seus amigos se terem tornado eles próprios mortos-vivos e da sua mão direita se ter virado contra si nos filmes anteriores, Ash já não é o típico herói pleno de virtudes, tornando-se arrogante, preconceituoso e acima de tudo, bronco que nem uma porta. E é aqui que reside a magia do Exército das Trevas.



No primeiro filme estamos perante o terror puro e duro. No segundo, o terror é intercalado por humor. Aqui, terror nem vê-lo. O Exército das Trevas é apenas um filme de acção carregado com humor físico e algumas das melhores frases-chave alguma vez encontradas numa película cinematográfica. Exemplos:

Quando a sua namorada medieval é possuída pelo demónio e o tenta atacar, depois de Ash se ter enganado nas palavras-chave que destruiriam para sempre o livro dos mortos e em vez disso ter libertado uma horda de mortos vivos:

Yo, She-Bitch! Let's go!

Na altura em que um morto vivo lhe grita "I'll swallow your soul!"

Come get some...

Quando dispara o seu primeiro tiro de caçadeira em frente aos cavaleiros medievais:

This is my BOOM stick!



São estas pequenas frases, envolvidas no contexto do filme, que tornam esta pérola num dos mais divertidos filmes de zombies de sempre, e que tornaram Bruce Campbell no meu herói de acção dos tempos de adolescente, bem à frente de Van Dammes, Seagals e afins. O Exército das Trevas, disponível nos melhores videoclubes e também naqueles videoclubes não tão bons que ainda têm Dvds mais velhinhos. Imagens, sons e um pequeno excerto vídeo podem ser encontrados aqui.

Hail to the king, baby!

Trailer:

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MÚSICA DE CULTO 9: THE PRESIDENTS OF THE UNITED STATES OF AMERICA

quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Ah, e que bem que sabe reencontrar uma das minha bandas preferidas da minha adolescência, quando os julgava mortos e enterrados... Os Presidents of The United States of America estão de volta!



Nascidos na fria e cinzenta Seattle mais ou menos a meio da década de 90, os PUSA conquistaram um público fiel à volta do planeta, derivado ao seu punk-pop-rock extremamente bem humorado. Músicas como Lump e Peaches continuam no ouvido de muito boa gente, apesar destas cantigas contarem já com 10 anos em cima... Os PUSA estavam em todas, tocaram em tudo o que era sítio, lançaram um segundo disco, continuaram em todas, continuaram a tocar em tudo o que era sítio, e depois... Acabaram. 1997 viu chegar às prateleiras das lojas Pure Frosting, uma compilação de raridades e músicas ao vivo, onde se encontrava a afamada versão de Video Killed The Radio Star, sendo este o seu canto do cisne...

Até agora! Andava eu a passear por uma pequena loja de discos em Faro quando dou de caras com Love Everybody, o mais recente disco dos Presidents of The United States of America! Editado em 2004, Love Everybody trás de volta a guitarra de 3 cordas, o baixo de 2 cordas e a bateria de brincar que os caracterizava. Ao todo são 14 faixas curtinhas, surpreendentemente refrescantes e divertidíssimas. Destaque para o instrumental Surf's Down, para a estupidez de Jennifer's Jacket e para a ultra-viciante Some Postman, uma cantiga das melhores que ouvi nos últimos tempos. Sorriso estampado na cara garantido! Perante o panorama sisudo das bandas Indie dos últimos tempos, talvez esteja na hora de voltar a descobrir The Presidents of The United States of America!



Video:




Some Postman

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MÚSICA DE CULTO 8: QUEEN ADREENA

quarta-feira, janeiro 18, 2006
O medo transformado em música. Eis os Queen Adreena!



Em meados dos anos 90, existiu uma banda londrina de Rock Alternativo intitulada Daisy Chainsaw, onde militavam Katie Jane Garside e Crispin Gray. A sua música escura e suja alternava com as flores no cabelo e o ar de menina perdida de Garside, e as actuações levavam a que muito boa gente questionasse a sanidade mental da vocalista, quando a mesma rasgava totalmente as suas roupas em palco ou surgia de cabeça envolta em ligaduras ensanguentadas. Durante alguns anos, esta banda escolheu manter-se à margem do sucesso comercial, apesar das constantes tentativas de contrato por parte de editoras como a Maverick. Até que, em 1993, Katie Jane acabou por sair da banda, exilando-se no País de Gales para se tratar mentalmente. Os Daisy Chainsaw acabaram por sucumbir alguns anos depois.

Em 1999, Crispin Gray e Katie Jane Garside voltam a encontrar-se casualmente. Começam a criar música juntos, e daí surgiram os Queen Adreena, uma continuação natural dos extintos Daisy Chainsaw, levada ao extremo. Com edições discográficas regulares desde a sua criação, esta banda é praticamente desconhecida pelo mundo fora, granjeando de um culto significativo no Reino Unido. O seu terceiro trabalho intitula-se The Butcher And The Butterfly.



The Butcher And The Butterfly é um album Rock, Industrial, Gótico, Indie, o que lhe quiserem chamar. Possui momentos de distorção e violência (Medecine Jar), ao mesmo tempo que existem também momentos de doçura envenenada (Childproof). O que se destaca nos Queen Adreena, mais do que o som, é a voz de Katie Jane. Sussurrada, frágil, por vezes falha e desafina como se fosse uma criança perdida já sem forças para chorar. Dá vontade de pegar nela e protegê-la (oiça-se os Lalalalalala infantis em Suck)... Até que se solta! E grita como se lhe estivessem a espetar uma faca no coração! E assusta! E arrepia! E à medida que a intensidade da guitarra, do baixo e da bateria aumenta, quem fica frágil e com vontade de se esconder somos nós. Garside passa de vítima a atacante numa questão de segundos, e as composições dos Queen Adreena absorvem-nos por completo! Um album com uma química muito própria, uma limpeza do espírito, o medo transformado em música, a música transformada em libertação!

The Butcher And The Butterfly, bem como toda a discografia dos Queen Adreena, só se encontra editado no Reino Unido. Porém, encontrei-o por acaso numa estante da Alquimia, na última vez que fui a Leiria...

Video: Medicine Jar

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MÚSICA DE CULTO 7: ANTONY AND THE JOHNSONS

segunda-feira, dezembro 12, 2005
Este mês trago-vos o ambiente trágico-poético de Antony And The Johnsons...



Antony Hegarty começou a sua carreira no showbizz em Nova Iorque no início dos anos 90. Nessa cidade, ganhou fama com os seus espectáculos de transformismo, onde cantava encarnando uma mulher de cabeça rapada. No final da década, junta-se a alguns amigos e nascem os Antony And The Johnsons.

Após o lançamento do primeiro album homónimo, a banda foi descoberta por Lou Reed, que os apadrinhou. A partir desse momento, Antony And The Johnsons começaram a fazer as primeiras partes dos seus concertos. Em 2005, foi lançado I Am A Bird Now, o disco que recomendo desta feita.



I Am A Bird Now, que valeu a Antony And The Johnsons o Mercury Prize de 2005, é um album sobre o sofrimento. Aqui ouve-se nua e honesta a soberba voz de Antony, enquanto nos canta directo ao coração sobre os seus traumas, sobre a sua homossexualidade, amores desavindos e dores no coração. Comovente, e de uma violência lírica que contrasta com a candura do piano e o sussurro da bateria. Ideal para desapaixonados, igualmente bom para apreciadores de boa música, I Am A Bird Now conta com participações de luxo que engrandeçem ainda mais as canções de Antony And The Johnsons. Para além de Lou Reed, ainda se pode ouvir por aqui a voz de Boy George e Devendra Banhart, entre outros.

Destaques para For Today I Am A Boy, a lindíssima Bird Gehrl, e What Can I Do?, a minha faixa preferida deste disco (apesar de ser cantada não por Antony mas sim por Rufus Wainwright). Descubram-no nos locais habituais.

Video: Hope There's Someone

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MÚSICA DE CULTO 6: LOVAGE

terça-feira, novembro 15, 2005
Cenário típico de um jovem entre os 25 e os 35 anos: Sai-se de casa à noite, conhece-se uma jovem atraente do sexo oposto, palavra puxa palavra, toma-se um copo ou dois, e depois diz-se a frase chave: Queres ir tomar um copo lá no meu cantinho? Se a resposta for favorável, o jovem está bem lançado para obter uma vitória no eterno jogo da conquista... Agora só falta criar o ambiente ideal... Uma garrafa de bom vinho tinto, velas acesas, e um cd de música de cama a tocar na aparelhagem... Normalmente Kenny G, Céline Dion ou Michael Bolton!

Porém, música de cama não é sinónimo de mau gosto! Todos conhecemos concerteza exemplos de albuns que libertam paixões arrebatadoras e proporcionam momentos agradáveis, sendo ao mesmo tempo óptimos albuns para ouvir no dia-a-dia. Apresento-vos Nathaniel Merriweather...



Nathaniel Merriweather é, apenas e só, Dan The Automator, (esse mesmo, dos Gorillaz)... Ou melhor, Nathaniel Merriweather é o mentor de um projecto editado em 2001, intitulado Lovage: Music to Make Love To Your Old Lady By... O melhor album de música de cama que já tive a oportunidade de ouvir!

Merriweather produz e sampla um ambiente extremamente sensual, de enorme bom gosto, apesar dos títulos infelizes de algumas músicas (Herbs, Good Hygiene & Socks, por exemplo) adornado pelas vozes de Jennifer Charles (dos Elysian Fields) e Mike Patton (será mesmo necessário explicar quem é?). As vozes de ambos os vocalistas dançam e provocam-se mutuamente, o erotismo cresce a cada batida, a cada gemido, a cada provocação lançada pelo casal... Ouvindo o album quase que parece que tanto Mike como Jennifer estão prestes a largar os microfones no chão e a atirar-se para cima um do outro...

Para além de Patton e Charles, também Damon Albarn (parceiro de Dan The Automator nos Gorillaz) e Africa Bambaataa dão um ar de sua graça, mas os verdadeiros protagonistas são mesmo os vocalistas principais!

Destaque para a música Sex (I’m a), versão de um tema os Berlin... O jogo de sedução levado ao extremo!



Sim, a capa de Lovage é ridícula, propositadamente Camp, mas o que interessa é mesmo o seu conteúdo. Uma curiosidade, esta capa é uma homenagem a este grande cantor de música de cama...



E Lovage resulta, perguntam vocês? A resposta é sim, resulta... E como resulta!!!!!

I Love The Lovage, baby!

Video: Book of the Month

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